sábado, 6 de maio de 2017

O Planeta dos Macacos - "livros me mordam"


Então eu li... O Planeta dos Macacos do autor francês Pierre Boulle

Das adaptações para o cinema eu só assisti a do Tim Burton (amei o plot twist do final - me julguem), e a nova trilogia, que é muito foda! (o último filme sai neste ano, 2017), meio que deste amor pelos novos filmes surgiu a vontade de ler a obra de 1963 que iniciou esse "planeta". 



Recebi o primeiro tapa do livro logo no início. Eu tava lendo no automático: isso é isso, aquilo é aquilo e ponto. Aí tive uma noção de o quanto estamos acostumado a algo, realmente estamos condicionados a pensar de uma forma, "isso é óbvio, isso outro é lógico", é como se fosse um padrão ou um caminho único que devêssemos seguir.

Não sei se vocês já se questionaram do porquê de em um livro se um personagem é negro o escritor precisa falar "ele é negro", parece que ele ficaria branco para o leitor até segunda ordem. Por quê? N'O Planeta dos Macacos (apesar do título '-'), me deixei enganar nas primeiras folhas, interpretei ali como eu queria, ou conforme o padrão me impunha a interpretar, aí veio o autor de forma sútil "não é bem assim não, garoto".

Esse questionamento me lembrou agora o discurso da Chimamanda sobre os perigos de uma única história. Parece que as histórias só possuem um tipo de agentes, uma única maneira de acontecer, uma única consequência, um padrão que nivela tudo e a todos. Mas, não é bem assim. O Planeta dos Macacos vem dá um drible no ego humano. 

Ah, preciso de uma pausa. 



Quando chegamos ao planeta os personagens já o chamam de  Planeta Soror. Não vi uma explicação para o nome "Soror" no livro, não que eu me lembre... Então fui loucamente pesquisar o que queria dizer. Descobri que "Soror" em latim é irmã, ou seja, seria o Planeta Irmã, achei esse masculino e feminino estranho e fui ver como ficava no original: em francês planeta é um substantivo feminino... La Planète. Aí as coisas fizeram sentido. Enfim... a pausa era só pra isso mesmo, podemos voltar.

Ok, agora vamos para a história \o/

Uma das cenas que achei mais fortes foi a da caçada - achei essa uma alegoria bem impactante (se é que posso usar essa palavra, não sei. Alegoria? Tá certo produção?). Já tivemos umas cenas de inversões de papeis que foram as "boas-vindas" ao planeta dos macacos, mas esta da caçada foi quase que o "fique mais um pouco, não quer tomar uma xícara de café? Se não quiser... a gente de força".



Ah outro ponto que eu queria falar é "a mulher selvagem e a Macaca culta". Esse negócio da aparência me lembrou a temática de A Bela e a Fera (aqui), sobre julgar as pessoas pela aparência, e as duas obras são de certo modo francesas. Uia.

No entanto, queria direcionar o foco aqui pra a agressividade do personagem principal em relação ao par romântico dele, que é uma humana do Planeta Soror, vulgo planeta dos macacos. O cara se sente superior pela condição selvagem/animalesca dela, e realmente a moça se comporta como um bicho, como os outros humanos do planeta, já que os "sapiens sapiens" do planeta são os macacos.

A relação do personagem com os outros humanos do planeta só me confirmou a ideia de que o ser humano parece ter a necessidade de ser escroto em qualquer situação, em qualquer parte do universo, ser escroto em relação a qualquer ser que ele tenha oportunidade. É como se tivéssemos a necessidade de nos impor a outro ser, de nos sentir superior a algo.

" Meu prestígio aumentou significativamente. Abuso dele. Às vezes ocorre-me a fantasia de aterrorizá-la sem motivo, agitando a luz. Ela vem em seguida me pedir perdão pela minha crueldade."

Página 103

Não reparei de o cara sendo babaca com a Zira, a macaca culta, por isso entendi que a agressividade com que ele trata a Nova, a humana selvagem, é menos em decorrência do fato de ela ser mulher e mais por ela não ter "espírito", como ele fala, o que entendi como consciência, o que também não justifica muita coisa para nós agora.

E o que não descarta outras atitudes machistas dele, como uma possessividade que ele demostra. E isso é muito engraçado se pararmos para pensar que aconteceu quando ele estava muito mais próximo do animalesco do que do humano, quase se perdendo mesmo. Reflitam... ou não.

Ainda sobre machismo... reparei que no planeta não vi macacas em altos postos de comando. O que é interessante, se levarmos em conta a discussão do livro e o paralelo da civilização dos macacos com a dos humanos. 



Ah! Sobre esse negócio de "espírito", que encarei como sendo sinônimo de consciência, me lembrou da escravidão daqui no Brasil, quando consideravam os negros inferiores porque acreditavam que eles não possuíam alma/espírito, algo parecido ocorre com os humanos do Planeta Soror.

A nova trilogia no cinema. Preciso falar. Encaixam! Pirei ao ler um capítulo onde as peças se fechavam. O livro do Pierre e os filmes (O Planeta dos Macacos: A origem, O confronto e A guerra) funcionam se colocarmos juntos. Pensei ao iniciar o livro que as histórias não teria muita relação já que o livro parece mais com o remake do Tim Burton, ah que engano maravilhoso. Ainda tô pirando com isso, não vejo a hora do último filme estrear nos cinemas. \o/ 

Antes de me despedir preciso agradecer ao incrível ser que me presenteou com o livro. Obrigado Manu ^^

Então era isso. 'Té mais pessoal.


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