terça-feira, 18 de abril de 2017

Os forasteiros - Deuses primitivos e Guerreiros de bronze (resenha)



OLÁ GRIFOOS.

Vamos falar sobre livros? Sobre mitologia? Aventura e uma capa bonita? Poix bora conversar sobre Os Forasteiros, o volume 1 da série Deuses e Guerreiros da autora Michelle Paver.

Vou começar jogando sujo e tacar logo a melhor cena, na minha opinião. Que é essa do sacrifício:


     "Uma imensa forma sombria obscureceu o céu. Desceu à margem do canal. Dobrou suas asas com um fap que lembrava couro.
     O espírito de Hylas se encolheu.
     Mais bater de asas. Outra sombra pousou na margem. Hylas ouviu o tinir de garras sobre as cinzas. Sentiu fedor de carne queimada. Viu a escuridão se mexer.
     Um silêncio terrível.
     Da beira do canal, parecia que estava vendo a escuridão se cristalizar, serpentear, mover-se de um lado para outro. À procura dele.
     Podia senti-la em sua mente. Tinha a carne enegrecida, queimada pelos fogos do Caos. As bocas vermelhas, em carne viva, eram feridas abertas.
     (...)
     Com o canto do olho, viu algo se mexer no chão.
     Lá. Na entrada do canal. Hylas se esforçou para ver na escuridão, mas ela era muito densa.
     Acima dele, no canal, o escuro se agitava, pescoços compridos se moviam em busca dele."

Página 227



Depois dessa citação sem fim, que deve ter irritado muita gente, vamos pra história. ^^

Hylas, a irmã Issi e o cachorro Xô (Xô! Melhor nome) vivem "de boas" pastoreando cabras nas montanhas. Maaaas, eles têm um porém: eles não fazem parte da aldeia, são meio que excluídos, "não estão sob a proteção dos deuses" porque são considerados como forasteiros (ata daí o título...). Até aqui ainda está tudo bem, a coisa ruim começa quando esses Forasteiros são perseguidos e mortos por Corvos.


  

"Não é nada disso que você está pensando." 

Os Corvos são um grupo de guerreiros de armaduras de bronze. Aqui eu puxo outro ponto da história: o bronze. O livro se passa na Idade do Bronze, mais precisamente na Grécia antes da Grécia (ué?). É mais ou menos isso, vemos os personagens falarem de deuses e conseguimos fazer as relações com os deuses gregos, como se fossem versões mais primitivas deles. "Todo o amor que houver nessa vida" para essa ideia.

Não posso esquecer os outros integrantes do grupo principal: Pirra, a filha da Sacerdotisa Suprema, que se recusa a ser usada pela mãe; e o golfinho apelidado de Espírito. É. Tem um golfinho na história. Ele tem umas cenas bem interessantes por causa da mudança de como encarar as coisa, exemplo: enquanto para humanos é normal dormir para o golfinho ficar "deitados naquele sono imóvel e parecido com a morte" é perturbador, já que "O golfinho nunca parava de se mexer. Não conseguia imaginar como seria. Era assustador só de pensar" (página 134). Ele é bem observador.


  Por outro lado o golfinho é dono de uns capítulos que pra mim foram uma encheção de linguiça... Eu fiquei bem "ele é legal, mas o que esse golfinho ainda tá fazendo aqui? Produção, pode levar". 

Okay? Okay. Acho que já posso partir para outro ponto. 

Uma das coisas mais interessantes do livro é que ele brinca com a fantasia. O real e o fantástico se misturam, e a gente não tem como afirmar com toda a certeza se são só coincidências, ou é a mente pregando peças, ou são deuses e criaturas mitológicas aparecendo etc. Fica uma dúvida no ar.

Detalhe da capa sueca

Mas, isso também é uma das coisas brochantes do livro. Pra mim a autora não soube trabalhar isso lá muito bem, porque é gerada uma expectativa enorme no fim de alguns capítulos (aquele bom e velho cliff hang)  e logo no começo do próximo descobrimos que a realidade é sem graça. '-'

Um exemplo: tem uma cena, logo no começo, que o garoto, Hylas, tá fugindo e ao cair da noite ele se enconde em um... um lugar tipo uma caverna, lá dentro tem um defunto (eita). Como lá fora pode ser mais perigoso, ele resolve dormir ali mesmo. Então, algo acorda Hylas. Lá está ele e seu companheiro da noite no mesmo lugar, o que será que o acordou? Ele fica olhando o corpo... que "abriu os olhos e o encarou", estas são as últimas palavras do capítulo. 






O que se passa na minha cabeça nesse momento? Zumbis ou algo parecido, e que a história vai ficar interessante, vai ser uma correria, vai ter White Walkers e tudo mais. Aí no capítulo seguinte descubro que era só outra pessoa que resolveu se esconder no mesmo lugar... no mesmo dia... ok... Fazer o quê, né?


Ai, ai. Era isso que tinha para falar sobre o livro. Comente o que achou da leitura. Um abraço \o/ Fui.



#MulheresParaLer

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