quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Beijos, Laurel.

A morte, ainda que faça parte do ciclo da existência, não é uma situação com a qual seja fácil ou simples de lidar. E se ela leva para longe alguém tão próximo, de grande significado e importância, é ainda mais doloroso.

Laurel perdeu a irmã May há alguns meses. A irmã que a convencera de que, quando crianças, elas eram fadas. A garota que era sua melhor amiga, seu porto seguro. Ter de viver com sua ausência é desafiador, mas além da dor de perdê-la, Laurel sente a culpa assolar-lhe os ombros: ela poderia ter feito algo para impedir o que acontecera naquela noite? 

Mudança de escola. Novas pessoas. É o primeiro passo tomado por Laurel para que não seja encarada como a garota que perdera a irmã. Sem especulações ou questionamentos.

Novos amigos. Um garoto. Uma atividade de Inglês. Esse conjunto será responsável por seu crescimento e irá ajudá-la não apenas a conviver com a dor da ausência, mas confrontar a si mesma para tentar lidar com dores e amarguras de seu passado.

A atividade consiste em escrever uma carta para alguém que faleceu. Laurel escreve não apenas uma, mas várias, destinadas a pessoas que têm significado não apenas para ela, mas para May, sua tia, seus amigos... 


Kurt Cobain, Amy Winehouse, Amelia Earhart, Heath Ledger (💚) são algumas das personalidades com quem ela conversa: conta de sua nova rotina, apresenta seus medos e inseguranças, compartilha suas alegrias e traz para nós, leitores, alguns aspectos e considerações sobre a vida da pessoa para a qual está escrevendo.


Devo confessar que esperei ansiosa por essa carta :') Ainda que Laurel tenha escrito apenas uma para Heath, é uma de minhas favoritas <3
Houveram momentos (poucos, para falar a verdade) em que as ações e pensamentos de Laurel me irritaram, mas daí parei e pensei: hey, já fui uma adolescente e também vivi os dramas e inseguranças dessa fase. Então sim, é completamente compreensivo e relevante.

Entretanto, um dos aspectos que mais me cativaram foi que, ainda que Laurel seja a protagonista, a autora soube inserir os dilemas das pessoas ao seu redor - May (através de memórias), os pais, amigos, o namorado - e nos permitiu enxergar - mesmo que não de maneira tão aprofundada - suas lutas internas, sonhos e perspectivas.

Redescobrir-se. Abrir-se para novas experiências e finalmente permitir-se sentir um pouco de paz: essa é a trajetória de Laurel contada de maneira singela e tocante por Ava Dellaira. Tal simplicidade aliada ao sentimento de libertação, paz e crescimento experimentados pela garota - assim como por seus pais e amigos - tornaram esse um dos grandes favoritos a melhores do ano!

" - O Universo é maior do que qualquer coisa que cabe na sua cabeça" p. 118.

Nunca avaliei livros por aqui mas para tudo há uma primeira vez, certo? E como a música é um elemento constante na história, nada mais justo do que dar-lhe:

♪♪♪♪

Quem já leu e quer compartilhar sua experiência, por favor, fique à vontade <3 E quem se sentiu curiosa / curioso, não perde tempo e dá uma chance pra esse livro. Palavra de honra que vale a pena conhecer Laurel e sua trajetória <3



Ficha Técnica:

Título: Cartas de Amor aos Mortos
Autora: Ava Dellaira
Editora: Companhia das Letras - Selo Seguinte
Tradutora: Alyne Azuma
N° de Páginas: 344

{C.Schreave}


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