quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Resenha de Anhangá - J. Modesto



Título: Anhangá, a fúria do demônio

Autor: J. Modesto

Ano: 2008

Editora: Giz Editorial

Nº de páginas: 241






"300 anos antes do descobrimento, o mal já caminhava em terras brasileiras" essa é a frase do topo da capa dessa edição do livro, já dá pra ver que vai ter uma pegada "indianista", né? J. Modesto é um escritor brasileiro de terror, que parece curtir umas histórias com sangue e vampiro. Mas, essa não tem vampiros... só o sangue mesmo. 

Bora pra uma sinopse: um grupo de templários (cavaleiros), um padre e um feiticeiro mouro estão levando um demônio congelado para jogá-lo da borda do mundo, no entanto... aparece o Brasil no meio do caminho, Surprise! E ainda tem um naufrágio para terminar de estragar a missão.



Em terras brasileiras há alguns núcleos de personagens, e isso cria algo interessante pra história, que vou já falar. Temos Acauã, um guerreiro Tupiniquim; Ibaté, o grande guerreiro Tupinambá; e o Pajé dos Tupiniquins. E canibalismo. '-'

A narrativa do começo até mais ou menos a metade do livro é dividida entre esses personagens mais o demônio, sim, há capítulos cujo o foco é o bichão. Mas o mais interessante não é só essa divisão de perspectivas, os capítulos também ficam voltando no tempo. Como assim? Quando um capítulo acaba, o próximo volta para narrar os "mesmos" fatos, porém do ponto de vista de outro personagem, o que vai somando aos poucos para história. Adorei essas retomadas, essas idas e vindas no tempo, adoro quando a narração faz essas coisas malucas. 


Agora sobre o demônio... ele é muito canastrão, sério, muito canastrão. A luta final, o choque de monstros, que começou umas 70 páginas antes do final, foi muito "papo furado". O vilão é muito blá-blá-blá, ele se acha muito diva, muito disco-diva meixmo.



Enfim... A melhor coisa do livro, na minha opinião, foi a chegada do Curupira, que foi bem "vai começar a putaria". Acontece uma espécie de possessão, essa foi sem dúvidas cena mais foda de Anhangá, a fúria do demônio. O que foi aquilo? Teve dente caindo, boca rasgada, combustão espontânea. 

Outro ponto alto do livro é o Prólogo com o Padre José de Anchieta e um indiozinho mexendo no que não deve. É tempestade, é um medo rondando pela floresta. É uma catequese que acho ofensiva pra cultura indígena, aí fica difícil: tem de um lado um demônio e do outro um padre. Garoto, só abraça.

Vou omitir uma palavra dessa citação pra não dar um spoiler:

"Um leve movimento de cabeça chamou a atenção de todos para o corpo do guerreiro amarrado à árvore e um arrepio percorreu a espinha dos três guerreiros. O (...) aparentemente morto havia se mexido.
Página 141

Preciso dizer que o livro tem vários erros de revisão: "Abaixando o braço, o Pajé voltou sua atenção para o pântano recém-formado encontrar o feiticeiro mouro." (página 130, grifo nosso) ou "Toda vez que alguém da aldeia adoecia ou era ferido, o feiticeiro era chamado e, colocando a mão sobre a testa do enfermo, dizia se ele iria se curaria ou não." (página 130, grifo nosso)... O livro tá cheio de coisas do tipo. Não sei se em outras edições (reedições) ajeitaram. 

Ah não posso esquecer de comentar sobre a grande revelação do final... Que desnecessária. Achei até meio... forçado. Não! Simplesmente NÃO!




Era isso, gente. 'Té mais.


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