domingo, 25 de setembro de 2016

Suicídio & internet - Agatha Christie?



"Mas, o que é que tem a ver um livro de 1943 com a internet, seu maluco?" 

Acalme-se jove-gafanhoto. Acabei de ler The Moving Finger da Agatha Christie mentira faz umas 3 semanas, e desde o começo minha mente explodiu ao perceber o quão atual ainda é um dos pontos da história. Primeiro... desculpa, mas vou ter que fazer um resumo d'A Mão Misteriosa (sim, é o título em português). 

A história é narrada por Jerry Burton, um cara que não queria usar a expressão "se fudeu", deixa eu pensar em outra... devido a um sério acidente aéreo teve vários ossos faturados, por recomendações médicas ele e a irmã, Joana com dois "n", se mudam para uma pacata cidade do interior da Inglaterra, Lymstock. Lá os irmãos são muito bem recebidos por uma carta anônima xingando Joanna de vadia, e insinuando que, na verdade, os dois não são irmãos... Depois de altas risadas, eles tocam fogo. 


O pior é que isso tá acontecendo com praticamente todos os moradores da cidade. Várias cartas sem remetente aparecem xingando, difamando, dizendo supostos segredos, e outros verbos desagradáveis no gerúndio. Então, uma pessoa (sinta o esforço para não dar spoiler), que acabara de receber uma desses maravilhosas cartas, aparece morta com um bilhete dizendo mais ou menos que não aguenta mais. 

Olha a relação com a atualidade aí gente! De vez em quando sai essas notícia de alguém que cometeu suicídio por ter sido exposto na internet: fotos/vídeos íntimos, segredos, ameaças etc. 

Nem preciso falar que o mistério do livro é saber quem é "a mão misteriosa" por trás das cartas anônimas, né? '-'


Essa foi a deixa que encontrei pra falar sobre o setembro amarelo, que já tá no fim... não importa, que tem o intuito de prevenir o suicídio. Então, por mais tentador que seja... por mais cansad@ que você esteja... por mais que queira se ver longe de toda essa merda... procure alguém, mesmo que não seja um especialista, mesmo que seja alguém só pra desabafar. Converse sobre.

"Mas num tenho..." Liga 141 ou acessa o site do Centro de Valorização da Vida

Voltando ao livro. Lembrete nº 1: a Agatha Christie, pra mim, é a rainha da construção das personagens. Ela consegue marcar tão bem as pessoas que com uma só característica o próprio leitor vai montando a personalidade, passado etc.



Lembrete nº 2: os mistérios dela são mais trabalhados nas relações sociais/pessoais, isso é o que eu acho... por favor guarde essas pedras. 

Tem uma frase nesse livro "onde há fumaça há fogo" que sintetiza a obra. Ela é cheia de fumaça, tem fumaça pra tudo que é lado. A autora fica é jogando fumaça na tua cara, só pra despistar, só pra te engabelar hoje o palavreado tá bom, é a função dela, não é mesmo? Enganar o povo.  

Ah! Tenho que dizer também que esse é um caso da Miss Marple, a velhinha detetive e tricoteira da Agatha Christie.


 Era isso, 'té mais. 

4 min cheio das onomatopeias com Zaz


Olá Grifos cá estamos com mais um vídeo sobre música. Uhull!

Que tal um pouco de Jazz hoje? Je Veux da Zaz é Jazz, né? "Tô longe de saber qualquer coisa aqui..." Enfim, uma música bem ostentação, só que não, pra vocês hoje, cheia "das onomatopeia".

Uma música francesa (alegre) para fechar esse mês de setembro.



sábado, 24 de setembro de 2016

Tortura, Ditadura Militar e Piauí - Os que bebem como cães




O que dizer de um livro que na primeira frase você já percebe que o bagulho vai ser louco? "A escuridão é ampla e envolvente". 

Desabafo on 

Como a maioria dos livros de autores piauienses eu tive uma certa dificuldade em comprar, porque acho caro (ponto!). Minha edição consegui pela Estante Virtual e é tão velha que não sei nem o ano, sério, não achei uma data certa, vi um 1975, mas fiquei na dúvida se seria ou não...

Enfim, me desculpe quem quer que seja, mas R$ 45,00 num livro de mais ou menos 170 páginas é meio difícil de lidar.

Desabafo off

Somos jogados logo de cara num quarto escuro de chão batido, mãos algemadas pelas costas, rosto na terra, sem água, sem comida. Os sons das botas vindo te buscar. Esse início só me lembrou o conto do Poe o Poço e o Pêndulo, que se passa na Inquisição Espanhola, de uma pessoa procurando a saída, uma porta, uma abertura qualquer num quarto escuro, parece haver nada mais ao redor a não ser a escuridão, mas... como ele entrou então? Estamos na Cela.

Detalhe da capa da Editora Renoir

De lá somos amordaçados, pois "Os guardas têm medo de nossas queixas ou de nossas próprias vozes" (página 12), somos arrastados para um lugar onde podemos nos lavar e ao mesmo tempo beber. O estômago vazio, agora cheio apenas de água. Estamos no Pátio.

Então, olhando para os outros percebe que não lembra de quem é, seu passado, o porquê de estar ali. O que fizera? Tenta gritar por alguém, mas por quem? Um vazio na memória... O que acontecera? Os outros gritam por suas mães, por suas esposas. Elas têm vários nomes... E esse é o Grito.

Assim segue o livro: na repetição da essência desses três capítulo (A cela, O pátio, O grito, A cela, O pátio, O grito, A cela, O pátio, O grito). A rotina da cadeia. As torturas. As drogas. A solidão.



Agora preciso falar sobre a escrita do cara, o narrador d'Os que bebem como cães é instável, "Como assim?". O Assis Brasil passa da 3ª pessoa pra 1ª de um parágrafo pro outro, ou mesmo dentro do próprio parágrafo com uma sutileza tão grande. Olhando o personagem de longe, olhando como ele, nos pensamentos dele, novamente à distância a olhar para o homem algemado no chão.


"Caminhou e ajoelhou-se próximo ao prato, como antes fizera dezenas de vezes. Já sabia como se abaixar e sorver o líquido sem derramar pelos lados ou se engasgar. Sem sujar sua roupa branca da primeira comunhão. Sorriu. Sou uma criança que aprende a se alimentar sozinha. Ou apenas um cão hábil e domesticado agora - sorriu (...)."

Página 81

Penúltimo ponto: o ambiente é muito fechado dá uma angústia no leitor, pelo menos em mim, e não tô falando "fechado" só no sentido de o personagem estar preso, mas sim que o cenário, as personagens, os objetos pra se interagir nas cenas são restritos. As pessoas não tem rosto. Nome, história, tudo esquecido. Na cela é apenas as paredes, a refeição, ratos e o chão obviamente e de vez em quando uma goteira. E ainda assim com tão pouco o autor conseguiu gerar tensão com um prato de comida, com um mero fucking prato de comida. Como pode? Sério, incrível isso.

Sobre a Ditadura... o livro não deixa muito claro o que está acontecendo fora dessa prisão. Mas... tendo em mente que o livro foi escrito na década de 70, então, é só ligar os pontos que dá pra fazer uma interpretação nesse sentido, no caso, com a Ditadura Militar no Brasil, no entanto, bem poderia servir pra quase qualquer outra ditadura, infelizmente.



sexta-feira, 23 de setembro de 2016

W - Two Words (Kdrama)






Título original: W

Título romanizado: Deo-Beul-Yoo

Também conhecido como: W - Two Worlds

Gênero: Romance, Drama, Suspense, Ficção

Número de Episódios: 16

Duração do episódio: 70 minutos

Escrito por: Song Jae-jung

Dirigido por: Jung Dae-yoon
Emissora: MBC
Período de transmissão: 20/07/2016 a 08/09/2016
Transmitido: Quartas e Quintas às 20h no horário de Seul


Antes de mais nada assistam o teaser: 


Antes de começar essa treta, eu queria avisar que eu não estou no meu juízo perfeito desde que esse dorama terminou, eu ainda não sei o que fazer da minha vida...




1. O Webtoon:


"W" é o melhor webtoon (Historias contadas de uma forma semelhante a mangás e HQ's só que online, no casa desse webtoon, creio que a versão impressa foi produzida devido ao grande sucesso da historia)  da Coréia do sul, com 10 mil cópias vendidas, seu protagonista é Kang Chul (Lee Jong Suk) (O mais quente dos personagens da ficção! Chupa Darcy!), Medalhista olímpico, que teve toda a sua família morta por um assassino misterioso após sua vitoria olímpica, devido as circunstancias suspeitas Kang Chul foi considerado o principal suspeito de matar toda a sua família, foi a julgamento diversas vezes e no fim foi inocentado por falta de provas.


Se isso não é ser gostoso, eu não sei mais de nada! <3

Quinze anos depois Kang Chul se tornou um defensor daqueles que são acusados injustamente e reuniu um grupo de detetives e jornalistas para investigar casos que aparentemente são impossuíveis mas, principalmente para pegar o assassino de sua família, e também comprou uma emissora de tv para dar mais espaço a esses casos.


Enquanto isso no mundo que achamos ser o mundo real, Oh Yeon Joo (Han Hyo-Joo) é uma residente de cirurgia cardio pulmonar (acho!) não muito talentosa (ela mesma disse isso!) cujo o pai, Oh Sung Moo (Kim Eui-Sung), é absurdamente famoso por ser o autor do webtoon  "W". Em uma bela tarde ensolarada em que Yeon Joo está matando o trabalho para ir ao estúdio de seu pai, que havia desaparecido misteriosamente, ela acaba indo parar dentro do Webtoon e salvando a vida de Kang Chul, claro que na hora ela não tinha ideia de que era ele. Eu também salvaria um milhão de vezes! <3

"To muito longe de saber qualquer
coisa aqui, gente!"
-Yeon Joo

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Grifo Nosso - Simone, campos de concentração e outras coisas



Tenho algo martelando em minha mente, dentre as várias outras coisas, desde que li A Força das Coisas da Simone de Beauvoir (tem um texto do blog sobre o livro aqui)... aqui vão algumas ideias sobre campos de concentração...

"No início da primavera de 1959, foi-nos revelada uma faceta ainda pouco conhecida dessa guerra exterminadora: os campos de concentração.(...) Em abril, o secretário-geral do Socorro Católico, monsenhor Rodhain, promoveu um inquérito do qual divulgou certas conclusões em La Croix: 'Descobri que se tratava de mais de um milhão de seres humanos, em geral mulheres e crianças... Uma proporção considerável, sobretudo entre as crianças, passa fome. Vi, e dou meu testemunho.' Ele calculava em mais de um milhão e quinhentos mil o número de reagrupados. Alguns deles - vira com seus próprio olhos - estavam reduzidos a comer capim. A tuberculose fazia devastações. As pessoas estavam tão debilitadas que nem os medicamentos surtiam efeito."
Páginas 489 e 499

Quando se fala nesse assunto sempre vem correndo à mente, o quê? Nazismo, judeus, o bigodinho do Hitler. Enfim, o foco sempre é lançado encima do lado que perdeu a 2ª Guerra. Mas, o leitor atento vai levantar a mão e perguntar: "e essa data aí: 1959?"  

Pois é, "coma um biscoito, Harry" como pode, né? Se a Guerra acabou em 1945... Primeiro que não foram só os nazistas que cultivaram seus campos de concentração, durante a guerra, se não estou enganado os Estados Unidos montaram alguns pra onde foram levados japoneses que viviam em território estadunidense. Surpresa! \o/

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Loucura, fadas e Z - Dois contos da Draco


A toca das Fadas - Clara Madrigano


     Na manhã seguinte, Jack comeu em silêncio. Nós saímos para brincar, mas ele não quis ir para a floresta. Ele sentou na grama e observou as árvores, suas copas distantes, como braços que pudessem vir e pegá-lo.

     À noite, Jack falava em sonhos. Acordava de repente, encarava o nada e suava frio. E eu observava. Eu sempre observava.

Mais uma vez tô aqui encantado por um conto. Já reparei que a Editora Draco tem um trabalho incrível com escritores nacionais, além de uma série de contos de cair o c* das calças.

A Toca das Fadas de Clara Madrigano é algo de uma simplicidade cativante como uma brincadeira de criança, e com personagens tão doces quanto o mel que as fadas devoram. Pelo visto fadas são ótimos elementos de terror principalmente porque são envoltos numa ideia de pureza; subverter aquilo já esperado é o tempero de boas histórias. 

Aqui vemos a inocência da infância em acreditar nas mais fantásticas coisas beirar à loucura, ou não. E o bom é que - igual ao conto O Senhor do Vento já comentado no blog - o conto da Clara tá de "grátis". Aqui \o/


Z - Claudio Parreira



"No meio da rua. Os rostos à minha volta eram todos e um só. Devoravam-se. A pergunta, inevitável: algum nome? A resposta, inevitável: multidão."

O que é real e o que é falso? "Meu nome é Z - falei. - Eu não sou real." Z é outro conto curto e incrível e 0800 (aqui) da Editora Draco que "arrepiou-me a epiderme". O personagem já começa isolado em seu quarto sem móveis, inclusive sem cama. Solidão.

 Loucura? Uma multidão sem rosto. Memórias o alvejando, a dor de mexê-las, de tentar arrancá-las. Sozinho em seu quarto. Sozinho na rua. Sozinho por entre as gentes, até encontrar Ana. Ela se torna algo tocável, um rosto que não se perdeu logo com os dos outros.


  Aqui encerro as indicações de hoje. Até a próxima.

domingo, 18 de setembro de 2016

8 minutos bem status do facebook com Cry for the Moon


Voltando com mais um vídeo sobre música \o/



A gente sai do foco, mas se diverte.

A música da vez é Cry for the Moon do grupo Epica, uma banda holandesa de metal sinfônico S2

Espero que gostem =D


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