quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Resenha: Anardeus no calor da destruição

   "Eu só quero que tudo isso vá à merda. Quero acabar com essa bosta de espécie.
   Sou democrático. Não faço distinção, nem ofereço privilégios.
   Odeio todos.
   Igualmente." 

Página 14

Tô todo bugado ainda. Leia... apenas leia!

O ponto alto do livro é a narrativa. Ela é bem dinâmica, tem até um pouco de linguagem de teatro. É crua, rápida, violenta. Violenta. Aqui não tem excessos, é aquela palavra e pronto não vai ter enrolação.

Confesso que demorei umas 30 páginas pra notar que era em 1ª pessoa >.< É tão rápido e tão bem escrito que quando notei já era tarde: tava fisgado. O livro é super curto e é umas das melhores leituras que fiz nesse ano. "Tem que vê o que você anda lendo, né meu fi?" Um abraço pra essas pessoas... um abraço pra mim, porque sou desses também. Enfim...

Já disse que o livro é em 1ª pessoa, mas quem é essa pessoa? É uma pessoa feia e desagradável (posso falar isso porque tá na contracapa). O cara do título, vulgo personagem principal, sente um frio que só passa quando... acontecem tragédias que deixam corpos pelo chão. O Anardeus é tipo uma Banshee, ele é atraído pela morte, sente tesão pela destruição. Caos.  


Arte do livro 

E a história não é contada linearmente: vai, volta, foda-se, quem tá contando é o Anardeus, ele conta do jeito que quiser/lembrar. Mas, às vezes o narrador muda. Em alguns trechos a palavra é dada pra Isabel, a irmã-quente em todos os sentidos, e para um fotógrafo que coincidentemente tá na hora certa, no lugar certo.  

No livro você vai ter um pouco do caos de uma metrópole, vai trabalhar, volta, trabalha, trânsito, trânsito, trabalha, volta, acorda, uma amazona pegando fogo. "Hã?" Ah... minha personagem preferida: uma mulher de máscara em chamas montada em um cavalo de seis patas, misteriosa, a pura destruição. 

Vá trabalhar. Trabalha e "Não para, não para, não para, não". E jamais se esqueça de praticar seu voyeurismo pras desgraças que acontecem com os outros. Sorria. Lembre, também, que algumas coisas já estão mortas antes de serem destruídas.


   "As ruas ficaram vazias, principalmente na região central. Precisou uma carnificina para o paulista perceber que estava passando tempo demais atrás de volantes e enfiado em escritórios refrigerados.

   (...) As baladas das meninas acabaram. Não por imposição nossa. Elas já tinham idade para ter medo.

Página 104  

Um impacto esse trecho. Vemos a destruição em uma realidade fantástica ou não que uma cidade provoca na gente. Violência. Acidentes. Vivemos em uma sociedade de risco onde qualquer coisa pode nos acontecer. Um avião bater num prédio. Uma bala perdida. E com a idade aprendemos a ter medo, realmente.

Como a coisa aqui tá ficando séria: melhor encerrar o texto. Se se interessou pelo livro aconselho a comprar no site do autor (hoje o ele tá por R$ 10,00 + frete) porque já vem autografado.

Antes de acabar só quero dizer: "Parece uma pornô." (Brasil, Inês)
:)




Ficha Técnica


Título: Anardeus. No calor da destruição

Autor: Walter Tierno

Ano: 2013

Editora: Giz Editorial

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