terça-feira, 12 de julho de 2016

Palha de Arroz: limpeza social e Vargas no Piauí


"Tanta gente por aí afora falando em fim de Ditadura!... Pra quê?!... Tanta gente falando em Democracia!... Liberdade... Pra que também?... se os homens na certa seriam os mesmos. De nada adiantava mudar as coleiras e serem os mesmos cachorros."
Página 14

Durante a Era Vargas (o Estado Novo foi de 1937 a 1945) tivemos muitas coisas: a troca de moedas - do Réis para o Cruzeiro -, uma ditadura básica, dentre outras "cositas más".

Incêndios criminosos e torturas. Esse é o contexto do livro Palha de Arroz do Fontes Ibiapina. Na década de 40 Teresina possuía um cinturão de pobreza de casas cobertas por palha, então essas casa começaram a pegar fogo, um mistério!, com ninguém sabendo quem tinha provocado. Algumas pessoas creditavam que esses incêndios eram provocados pelo governo numa tentativa de urbanização da capital (algo que Vargas queria) "higienizando" as áreas pobres, uma solução mais rápida e fácil. E é um pouco da vida desses moradores que o livro conta.

Dino Alves
Não preciso nem dizer que Palha de Arroz é um retrato da nossa história... um tanto desconhecida pra falar a verdade, o que significa que podemos repetir os mesmos erros. Trágico... Trágico... 

Não grite FOGO!

No meio da confusão, sua casa pegando fogo, suas coisas queimando, seu filho pequeno preso lá dentro, o que fazer? Não grite FOGO, se pedir ajuda dessa forma eles te levarão sob a acusação de incendiário. Mais do que lógico isso: se a pessoa tá gritando FOGO! é porque ela sabe que há um incêndio, se ela sabe antes de todo mundo então foi ela quem provocou. '-'  

Aqui temos prostitutas, pescadores de defunto (sim, pessoas "especializadas" que ganhavam uns trocados pra retirar corpos dos rios), tem aqueles malandros, tem gente louca, assassinos alugados. "Dorme, cidade maldita/ Teu sono de escravidão."/"Sonha com o pobre que grita:/Senhor meu Deus, dai-me pão!"*    

"Miséria! Para que estudei tanto!?... Homo stupidus. Único animal do mundo que ri e chora. Chora, infeliz! Ri, miserável! Chora das desgraças tuas! Ri das misérias dos outros!

Página 209

Queria ter escrito mais sobre literatura piauiense, mas por algum motivo bizarro só saíram dois textos até agora >.<





* Essa é a epígrafe do livro, um pouco de Castro Alves e Fontes Ibiapina. 

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