segunda-feira, 21 de março de 2016

A Rainha do Crime - A Mansão Hollow


Edição, nota: 9-ponto-9

Autora: Agatha Christie 

Editora: Nova Fronteira 

Tradutora: Vânia de Almeida Salek

Páginas: 256

Eu tava muito curioso pra saber como haviam ficado essas novas edições da Nova Fronteira, que vieram com capa dura, folha amarelas e essas cores chamativas e fortes, tava achando bom demais pra ser verdade, mordi a língua... partiu montar uma coleção da Agatha Christie. \o/


História

O que falar quando a Rainha do Crime começa com a magia dela de "você lê uma página e já se sente amigo de infância daquele personagem apresentado"? Dos livros que li dela foram assim: virei a primeira página, e o personagem saiu andando sozinho já. 

Mas vamos ao que interessa... Vão sendo apresentados separadamente os personagens nos momentos anteriores ao fim de semana quando irão passar os dias na Mansão Hollow. É um encontro familiar, uma família praticamente feita de primos... E do Poirot que recebe um convite para um assassinato um almoço.


"Uma mancha escura surgiu lentamente em seu lado esquerdo e daí escorreu devagar pelo concreto da borda da piscina, derramando pingos vermelhos na água azul"

A construção dos personagens é algo muito importante aqui, demora quase 100 páginas pra morte aparecer, então vou deixar a dica: não leia a contra-capa do livro, ela fala quem morre e outra coisa também, e isto seria uma surpresa a mais ;) já que acontece quase na metade de um livro policial, não é mesmo?

Monsieur Poirot 

Esse é mais um livro com um dos personagens mais famosos da autora o detetive belga Hercule Poirot, o detalhe é que ele aparece muito pouco, muito pouco (isso não foi um erro de digitação, foi pra enfatizar mesmo), são pontuais as aparições dele, o enfoque mesmo é nas relações pessoais e na família, mais especificamente nas mulheres da família. 



Papel Feminino

A Mansão Hollow foi publicado em 1946! 

O legal é que o livro não mostra só um perfil de mulher. Temos desde aquela para quem "o mundo inteiro se resumia num pernil de carneiro esfriando num prato" (Pág. 33) até... sei lá... aquela que sabe o que não quer. É um leque de personalidades.

Ah! E o livro passa no Teste de Bechdel, há duas mulheres que conversam entre si sobre algo que não seja um homem. E no caso mais de uma vez.


"David respondeu em voz mal-humorada que nunca lia o News of the World.
- Sempre leio - disse Lady Angkatell. - Fingimos comprá-lo para os empregados, mas Gudgeon é muito compreensivo e nunca o leva antes do chá. É um jornal muito interessante, fala tudo sobre mulheres que enfiam a cabeça no forno, com o gás ligado. E são muitas, por sinal."

Página 112

Não poderia deixar de fora essa citação... Me lembrei na hora da poetisa e romancista Sylvia Plath (A Redoma de Vidro), que se suicidou pondo a cabeça no forno e ligando o gás. "E são muitas, por sinal"...


Relações humanas e Protocolo Social


"'Assassinato!' (...) O que pensariam seus amigos? Como, por assim dizer, se devia agir na ocasião de um crime? Qual seria a atitude mais correta? Enfado? Desgosto? Ligeira diversão?"

Página 129

Ligeira diversão o/

Hollow do inglês: oco, vazio, é tecnicamente disto que vai tratar o livro: de pessoas tentando preencher seus fracassos-pessoais com protocolos sociais, com ilusões, com um emprego de merda, com raiva/ódio (o que é bom porque é um sentimento que pega muito espaço) etc. E no meio disso tudo uma palavra veio se repedindo ao longo das páginas: artificial, artificial, artifi...

E isso é tudo, pessoal. Até a próxima.



Leia mais mulheres \o/



PS.: Fogareiro no banheiro - tem uma cena que vão fazer chá no banheiro. Achei muito estranho, então... fui atrás de uma explicação. Aparentemente as pessoas usavam (ou usam ainda, vai saber) isso pra esquentar água para ter um banho quente de banheira '-'




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