segunda-feira, 5 de outubro de 2015

O Exorcista (o livro) - É você, Pazuzu?


— Você disse que é o Diabo? — perguntou ele.
— Eu garanto que sim.
— Então, por que não faz as amarras desaparecerem?
— Veja, seria uma demonstração vulgar demais de minha força. Afinal, eu sou um príncipe! "O príncipe deste mundo", como uma pessoa muito estranha disse a meu respeito, certa vez. Não me lembro bem quem foi. — Uma risada baixa. E então: — Prefiro a persuasão, Karras; a união, o envolvimento comunitário. Além disso, se eu soltar as amarras sozinho, eu nego a você a oportunidade de realizar um ato caridoso. 

(página 200)

Acho que todo mundo conhece a história do filme O Exorcista de 1973, ou pelo menos já deve ter ouvido falar sobre ou imagina que é sobre como dois pôneis se conheceram no verão de 19... não pera... É um clássico do terror com muitas risadas garantidas; o que alguns podem não saber é que o filme foi baseado em um livro, que se não me engano, foi baseado em outro livro, que foi baseado em um exorcismo que aconteceu. Ansiosos por começar?



O livro de William Peter Blatty foi publicado inicialmente em 1971, e conta a história de... Vamos por partes, primeiro os personagens:

Chris MacNeil é uma atriz, que tá tendo sérios problemas com a filha: a puberdade, é aquelas coisas da idade, a voz muda, a menina começa a se ferir, a se masturbar loucamente, a falar um alemão básico, podia ser mais não é. 

Regan MacNeil(11~12anos) era uma menina normal, doce, carinhosa, que deixava uma flor no prato da mãe, seria uma pena se ela fosse possuída pelo ritmo ragatanga por um demônio chamado de Pazuzu: "Me lambe, me lambe, me lambe! Aahhhhh!". 


Padre Damien Karras, o jesuíta-psiquiatra para quem Chris perguntou qual o melhor dia pra exorcizar a filha; o problema é que ele vem passando por uma crise na própria fé, além de ter abandonado a mãe com problemas sérios de saúde (sozinha!) pra seguir como jesuíta. (Aplausos... cadê?) 


Padre Lankester Merrin é o top-exorcista, que começa o livro em uma escavação no Iraque ¯\_(ツ)_/¯ ‏. Acho que falar de outros é encher o saco, então vou pular alguns.

— Mentiroso! Mentiroso desgraçado! Diga onde está sua humildade, Merrin? No deserto? Nas ruínas? Nas tumbas para onde você escapou para fugir do próximo? Para fugir de seus inferiores, dos doentes da cabeça? Você fala com homens, seu nojento?
— "...ajude..."
— Seu lar é num ninho de pavões, Merrin! Seu lugar é dentro de si mesmo! Volte ao topo da montanha e converse com seus único semelhante!

(página 300)

"Mea culpa"

Agora o barato do livro: como o comportamento da Regan muda aos poucos acham que é por causa do divórcio dos pais, que ela não está aceitando ou até culpando a mãe; no início pensam que o fato de ela tá escondendo objetos e movendo móveis de lugar é só pra chamar a atenção.

Aí os sintomas vão piorando, ela vomita aquela coisa verde bem encorpada (que go'toso), se mija, começa a falar palavrão, a cama se sacode, pois é... os médicos depois de vários exames não encontram nada, e surge a teoria de que a menina desenvolveu uma dupla personalidade (oi?); no caso, Regan estaria se culpando pelo divórcio dos pais, e ao mesmo tempo não quer reconhecer essa culpa e para se punir surgiu essa outra personalidade demoníaca que seria o Pazuzu, pra a menina se autopunir sem precisar aceitar as coisas, e o melhor de tudo: conseguir descer escadas com estilo. =D   


Na verdade, quase todo personagem tem tecnicamente algo pra se sentir culpado, pra esconder de si mesmo; e o suposto demônio seria o que nos mostraria essas coisas nos fazendo enfrentar. "No ato de esquecer, eles tentavam se lembrar" (página 331). Em vez de se perdoar, nós remoemos o passado. 

Ah... não poderia terminar sem dizer que a revisão do livro me incomodou um pouco (vou jogar a culpa na revisão porque sou desses), teve aquelas coisas básicas de trocar uma letra, repetir um palavra, trocar sótão por porão (ou eu que não entendi direito, vai saber) até aqui tudo bem, mas teve... pera deixa eu fazer as contas... 5, 10... ok. Ao todo tiveram 51 franziu ou franzindo o cenho. Cinquenta e um! Além de 2 cenho franzido, 1 franzisse o cenho, e 2 franziu as sobrancelhas (pra dá aquela mudada). Pra um livro de 300 e poucas páginas é muita coisa. Mas deixando isso de lado um pouco, o livro é muito bom mesmo, continuo recomendando (além da capa ser incrível).

Por enquanto é só... Não se esqueçam de curtir a fanpage pra não perder nenhuma novidade do nosso Mês do Horror. Até a próxima.



Ficha Técnica

Título: O Exorcista (The Exorcist)

Autor: William Peter Blatty 

Editora: Agir 

Edição: 1ª edição (2015)

Tradutora: Carolina Caires Coelho


Um comentário:

  1. Primeira vez que venho aqui e tô amando seu estilo de resenhar.
    E, meu Deus, realmente... O que tem a ver aquela cena inicial da tal escavação? Acho que terminei o livro tão chocada com as cenas da mocinha possuída pelo ritmo ragatanga que não me dei conta daquele início. Não serviu pra nada né? Vai entender...


    ourbravenewblog.weebly.com

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