quarta-feira, 1 de julho de 2015

Morte e Vida Severina - Somos muitas Adaptações



Para aqueles que ainda não conhecem Morte e Vida Severina é um poema do João Cabral de Melo Neto (JCMN) escrito entre 1954 e 1955, que vai narrar a caminhada de um retirante chamado Severino que sai de uma terra seca e hostil pro Recife, onde pensa encontrar uma melhor fartura, pelo menos uma terrinha melhor de onde tirar o que viver.


A história já começa com o personagem principal dizendo o nome dele, e que foi batizado com nenhum outro (sem sobrenome, sem ser nome composto, ele é apenas um Severino). “E daí?” Ora: ele logo de início não consegue se encontrar, tá tendo uma crise de identidade, não sabe como se diferenciar de tantos outros que sentem a mesma necessidade de migrar; o que mostra logo de cara que o poema não vai tratar só da seca, ou de questões sociais como a divisão de terras... 


                          “[...]
                          Vejamos: é o Severino
                          da Maria do Zacarias,
                          lá da Serra da Costela,
                          limites da Paraíba.
                          Mas isso ainda diz pouco:
                          se ao menos mais cinco havia
                          com nome de Severino
                          filhos de tantas Marias
                          mulheres de outros tantos,
                          já finados, Zacarias,
                          vivendo na mesma serra
                          magra e ossuda em que eu vivia.
                          Somos muitos Severinos
                          [...]”



Morte e Vida Severina é um poema relativamente grande e excelente, e ao mesmo tempo é uma peça de teatro. “Cuma?” É, pois é... Esse poema foi feito pra ser um Auto de Natal Pernambucano. “Hã?” É isso mesmo que você leu. Mas esse toque natalino eu só fui perceber realmente lá pro final da leitura... Então vá fazendo nota: é um poema sobre retirantes, uma peça de teatro, e ainda tem um pé no natal. Vamos pro próximo...

Vou citar de uma vez que ele também virou filme, mas por enquanto é só pra citar mesmo porque ainda não lhe assisti. Ok, próximo... Como já deu pra ver essa é uma obra que foi bastante adaptada pra vários tipos mídias; e como é um poema qual o problema de virar uma música? Vou pôr aqui a interpretação do Chico Buarque de um trecho de Morte e Vida Severina:


Não poderia finalizar esse texto sobre uma obra fantástica e suas adaptações sem dizer que ela também virou uma HQ nas mãos de Miguel Falcão e daí virou uma animação fodástica, vou pedir pra no mínimo depois disso tudo que falei você assistir nem que seja os primeiros trinta minutos da animação:



Deixo com vocês essa(s) dica(s) de algo pra ler, ou ouvir, ou assistir. Se me esqueci de outra adaptação: é só pôr nos comentários. Até...

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