terça-feira, 7 de abril de 2015

Resenha: 1984, George Orwell

“Ao futuro ou ao passado, a um tempo em que o pensamento seja livre, em que os homens sejam diferentes uns dos outros, em que não vivam sós – a um tempo em que a verdade exista e em que o que for feito não possa ser desfeito:
Da era da uniformidade, da era da solidão, da era do Grande Irmão, da era do duplipensamento – saudações!”       (páginas 39 e 40)

Eric?

     Eric Arthur Blair foi um ser que nasceu em 1903 (na Índia), foi jornalista, crítico, romancista e George Orwell, sim, Orwell é o pseudônimo desse cara, e que morreu de tuberculose em 1950...

Leitura de Orelha

     No ano de... talvez 1984, Winston Smith, um trabalhador comum do Ministério da Verdade, inserido em uma sociedade distópica altamente vigiada e controlada pelo Estado, começa a se questionar e a desafiar o estado das coisas ao seu redor.
     Sendo a história do livro dividida em três partes.



Sorria e acene!

     Que mundo mais sem prazer, sem gosto, onde até o chocolate tem o sabor de “fumaça saída dos incineradores de lixo”, um mundo preso em rotinas, tédio, medo, de pessoas oprimidas pela autoridade do Grande Irmão.

 “Você era obrigado a viver – e vivia, em decorrência do hábito transformado em instinto – acreditando que todo som que fizesse seria ouvido e, se a escuridão não fosse completa, todo movimento examinado meticulosamente.”
                     (página 13)

     E para tentar driblar todos esses olhos e ouvidos sobre você, na tentativa de guardar algo só seu (os seus pensamentos, talvez), e se manter vivo o máximo possível, você era obrigado a manter uma expressão abestada neutra, escondendo suas frustrações, raiva, desejos, tristeza, no fim é melhor não expressar nada...

Ao que parece Kristen Stewart irá estrelar um adaptação de 1984...


Primeira Parte

     As primeiras páginas são uma amostra do mundo criado por Orwell, um soco, algumas das principais características dessa sociedade são mostradas logo no início, aqui vai uma pequena parte:

O lema do governo 

“GUERRA É PAZ
LIBERDADE É ESCRAVIDÃO
IGNORÂNCIA É FORÇA”

Dois minutos de ódio – devido a tanta opressão, o individuo a coletividade precisa de algo para explodir, extravasar, se expressar (tendo o cuidado para não parecer suspeito, ou parecer que tá traindo o movimento) um meio para isso foi os dois minutos de ódio, nada melhor que uma forma controlada de descontrole: com tempo determinado, com o ódio canalizado para algo específico; não contentes só com isso eles montam o carnaval a semana do ódio.
Duplipensamento – “significa a capacidade de abrigar simultaneamente na cabeça duas crenças contraditórias e acreditar em ambas“ hã?
A guerra sem fim – serve para desviar a insatisfação que o povo teria do partido para um inimigo externo (ele existindo ou não, sendo uma ameaça ou não), justificando a miséria, tentando arrebanhar as pessoas pelo medo.
Big Brother (o Grande Irmão) – por fim, a entidade que representa o governo e a quem todos devem expressar seu amor e gratidão. 



Segunda Parte

     Há aqui se desenrola um “romancezinho”, por que entre aspas? Porque nessa parte existem declarações de amor do tipo: “’Eu sentia ódio só de olhar para você’, disse. ‘Queria estuprá-la e depois matá-la’”. ‘Oo’
     Por outro lado é aqui onde o livro bate a realidade na nossa cara, é onde vemos como funcionam as coisas, como somos governáveis, para um livro escrito no século XX: parabéns...

“Nada a temer do lado dos proletários. Abandonados a si mesmos, continuarão trabalhando, reproduzindo-se e morrendo de geração em geração, século após século [...] Seja qual for a opinião que as massas adotam ou deixam de adotar, essa opinião só merece indiferença. As massas só podem desfrutar de liberdade intelectual porque carecem de intelecto.”
(páginas 247 e 248)

Terceira Parte

     Não vou falar muito para não sair um spoiler (se bem que talvez já tenha saído um). Deixa eu tentar... Uma amiga minha falando sobre 1984 uma vez disse que o que tirou dele foi uma sensação de desesperança (a humanidade não aprende) - isso resume a última parte, pronto. 


Ficha Técnica

Título: 1984

Autor: George Orwell

Tradução: Alexandre Hubner, Heloísa Jahn

Ano: 2009 (16ª reimpressão 2013)

Editora: Companhia das Letras


4 comentários:

  1. Amei esse livro. Pior de tudo é ver que por mais absurdas certas coisas no livro, já estão acontecendo, ou aconteceram, em algum nível, na vida real. Terminei a leitura com medo hahaha.

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    1. Hahaha Realmente se a gente parar para pensar 1984 é quase um livro de terror.

      Ah, preciso falar que amei o teu nome. Brave New World é minha distopia favorita.

      Obrigado pela visita.

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  2. Eu tenho esse livro aqui, mas ainda não li, mas sei que não é a toa que ele é um clássico "moderno". Pois sempre vejo comentários de que ele conseguiu ser bem real, para os dias de hoje também. Muito bom o blog. Seguindo já! :)

    http://leitorprolixo.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Mas vá preparado porque não é uma leitura fe-liz! O livro te joga no chão e te chuta. Eu sai me perguntando "Por que as coisas ainda são desse jeito? Como pode?" O Orwell deixa a gente na bad.

      Obrigado e que o Grande Irmão não esteja assistindo você. ;P

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