quinta-feira, 5 de março de 2015

A Terra e o Melancolia, a dança da morte




                                         


     Um filme de linguagem poética, que expõe os medos dos personagens, não em relação à vida e nem à morte, e sim o medo do “fim”.  As imagens em Câmera lenta ao início do filme, nos levam a outro tempo e espaço, onde as pessoas fazem coisas sem sentido algum, mas que não torna cada movimento menos gracioso. Um êxtase de imagens surgindo na tela, e uma sinfonia que é quase um orgasmo de tristeza e melancolia.  A nostalgia que insiste em encher os olhos dos espectadores a cada imagem. Uma leve sensação de que os personagens interagem com os espectadores,  e que escondem algo que só muito depois saberemos. O filme vai muito além de um simples “fim”, gira em torno da vida de Justine, uma jovem estagnada, que quer se libertar , mas a sua tristeza parece não ter fim.


           

Tudo começa com um casamento, o início é como assistir a um vídeo caseiro que mostra cada personagem como se fosse único, a câmera passeia livremente entre os mesmos, dando a impressão de leveza, os personagens balanceiam essa sensação com pesar de suas melancolias. Personagens de sinceridade crua e dura feito concreto. O áudio vazio e constante nos faz notar a frustração silenciosa de cada personagem. Uma narrativa cansativa, onde a história não parece fazer o menor sentido, pelo menos até sabermos pelo que eles tanto esperavam.

Justine, a personagem principal, leva uma vida triste e sem sentido, é como se ela esperasse algo acontecer o tempo inteiro, mas nada acontece. O casamento é um fiasco, perde o seu recente marido, e se demite, esta é a triste vida de Justine. A mesma está tão imergida em sua depressão que precisa de Claire, sua irmã, para quase tudo, mesmo que ela não admita. A agonia da doença de Justine nos faz achar que a morte da mesma chegará logo, mas não demora muito para uma pequena melhora. Ela se identifica com o planeta que está por chegar e que colidirá com a terra, extinguindo assim, qualquer forma de vida, e ela anseia interiormente por sua chegada.

 

John, o marido de Claire, observa ansiosamente com o telescópio a chegada do planeta melancolia, mas o mesmo sabe que o fim está chegando, e antes disso se suicida no estábulo dos cavalos, mostrando o desespero e angústia do personagem diante do fato aguardado.  Claire e Justine esperam ansiosas e amedrontadas pela chegada do melancolia.

Melancolia retrata muito além de uma simples catástrofe natural, vai muito além de um simples fim do mundo, melancolia mostra quando isso acontece dentro de um ser humano, quando não há esperança. Um estágio onde a morte não faz diferença frente a uma vida estagnada e sem sentido. Mais uma vez Lars Von Trier mostra toda a sua genialidade nessa obra prima do cinema, e não economiza na estética do filme. A melancolia de Lars Von Trier está ali, em cada take silencioso e ''cinza'' do filme.
Por: Morpheus!

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