domingo, 7 de maio de 2017

Dimensões.Br - Memória, Brasil e Fantasia


Me peguei com o livro de contos Dimensões.Br: contos de literatura fantástica no Brasil publicado pela Andross Editora e organizado por Helena Gomes, esse livro é uma experiência, porque é muito conto diferente um do outro.

Tenho planos de escrever um pouco sobre alguns contos, mas não agora. Aqui o foco será o prefácio.




O texto escrito por Roberto de Sousa Causo e intitulado de "Um Brasil Fantástico" faz uma espécie de panorâmica do país em relação à fantasia. Há citações de vários livros (anotei todas) desde de A Luneta Mágica do Joaquim Manoel de Macedo (aquele lá d'A moreninha) até André Vianco, Giulia Moon, Carlos Orsi, Mariana Albuquerque etc. 

O livro foi publicado em 2009. E é curioso ler essa discussão desse período, que é mais perto do "boom" da fantasia no Brasil. Ah! Eu esqueci de levantar a ficha do Roberto de Sousa Causo... O cara é escritor e pesquisador de ficção científica e fantasia; escreveu histórias como Terra Verde, com alienígenas na Amazônia, Selva Brasil, que conta sobre um Brasil alternativo, Um Herói para Afrodite, este um conto de terror, e várias outras histórias. 

Pois bem... vamos para o que chamou minha atenção neste prefácio dele:


"Mas quando tentamos nos lembrar do passado, especialmente em comparação com a cultura popular inglesa ou americana, a impressão que chega é a de que o principal produto da cultura brasileira é o esquecimento. Temos pioneiros, que não são lembrados; temos soluções próprias, mas não são conhecidas. Cada novo sucesso internacional redefine nossos paradigmas e desperta aquela nossa velha coceira de imitar."

Página 17


Nossa cultura é a do esquecimento... Pirei com essa ideia.

E realmente se olharmos para trás não percebemos o monte de autores que escreveram textos de cunho fantástico, temos o diabo em Guimarães Rosa, o Brás Cubas (um espírito) do Machado de Assis, o Álvares de Azevedo nem preciso falar, lembro até de ler sobre lobisomens em algum livro do Graciliano Ramos.

Se duvidar desde do início do Brasil escrevemos fantasia, mas classificamos com outro nome porque parece que pôr "literatura fantástica" é colocar a obra abaixo da merda. É uma sub-literatura. Aí fiquei pensando: agora temos tantos escritores do gênero, mas corre o risco de daqui a 50 anos um brasileiro olhar para trás e falar "Hmm não tinha, né?. A gente nunca teve um livro de fantasia escrito por um brasileiro. Nenhum movimento de fantasia. O Brasil é um lixo atrasado mesmo, só agora que estamos fazendo algo do tipo." Igual pensamos hoje.    

Outro ponto de discussão é o negócio de imitar e tentar agradar:


"Frequentemente evitamos abordar nosso atraso social e o que é tipicamente brasileiro, temendo reforçar os estereótipos culturais com os quais os países desenvolvidos supostamente nos enxergam. Mas por um lado, literatura não é propaganda - sua função mais nobre está mais perto da crítica do que do enaltecimento. (...)

Por outro lado, deixar que aquilo que imaginamos que seja a visão que o estrangeiro tem de nós dite o que devemos escrever é triste evidência de subserviência intelectual."

Página 21

Isso só me lembra aquela história do "complexo de vira-lata" do brasileiro. Parece que tudo o que vem de fora é melhor, toda história que ocorre lá fora é melhor também... E quando a nossa brasilidade aparece numa história ela é meio estereotipada... que nem a gente se identifica. 

 O legal é que esses pensamentos coincidiram bem na época em que tô lendo O Planeta dos Macacos (aqui), que trata também dessa ideia de imitação. O livro faz um paralelo entre a civilização e a rotina, esses atos repetidos, condicionados, imitados de forma geral. "Mas quando um livro original é escrito (...) os homens de letras o imitam, isto é, o copiam, de maneira que são publicadas centenas de milhares de obras tratando exatamente dos mesmos temas, com títulos um pouco diferentes e combinações de frases modificadas." (páginas 141/142). Esta foi uma citação d'O Planeta dos Macacos, um livro de 1963. 63! 

Com tudo isso na mente, o prefácio do Roberto de Sousa Causo termina nos lançando para os 55 contos de fantasia, terror, ficção científica, folclore etc. de mais de 50 autores brasileiros diferentes. Esse é um ponto de esperança legal para terminar esse texto, mas espero que não encerre a discussão por aqui. ^^

Era isso.  



sábado, 6 de maio de 2017

O Planeta dos Macacos - "livros me mordam"


Então eu li... O Planeta dos Macacos do autor francês Pierre Boulle

Das adaptações para o cinema eu só assisti a do Tim Burton (amei o plot twist do final - me julguem), e a nova trilogia, que é muito foda! (o último filme sai neste ano, 2017), meio que deste amor pelos novos filmes surgiu a vontade de ler a obra de 1963 que iniciou esse "planeta". 



Recebi o primeiro tapa do livro logo no início. Eu tava lendo no automático: isso é isso, aquilo é aquilo e ponto. Aí tive uma noção de o quanto estamos acostumado a algo, realmente estamos condicionados a pensar de uma forma, "isso é óbvio, isso outro é lógico", é como se fosse um padrão ou um caminho único que devêssemos seguir.

Não sei se vocês já se questionaram do porquê de em um livro se um personagem é negro o escritor precisa falar "ele é negro", parece que ele ficaria branco para o leitor até segunda ordem. Por quê? N'O Planeta dos Macacos (apesar do título '-'), me deixei enganar nas primeiras folhas, interpretei ali como eu queria, ou conforme o padrão me impunha a interpretar, aí veio o autor de forma sútil "não é bem assim não, garoto".

Esse questionamento me lembrou agora o discurso da Chimamanda sobre os perigos de uma única história. Parece que as histórias só possuem um tipo de agentes, uma única maneira de acontecer, uma única consequência, um padrão que nivela tudo e a todos. Mas, não é bem assim. O Planeta dos Macacos vem dá um drible no ego humano. 

Ah, preciso de uma pausa. 



Quando chegamos ao planeta os personagens já o chamam de  Planeta Soror. Não vi uma explicação para o nome "Soror" no livro, não que eu me lembre... Então fui loucamente pesquisar o que queria dizer. Descobri que "Soror" em latim é irmã, ou seja, seria o Planeta Irmã, achei esse masculino e feminino estranho e fui ver como ficava no original: em francês planeta é um substantivo feminino... La Planète. Aí as coisas fizeram sentido. Enfim... a pausa era só pra isso mesmo, podemos voltar.

domingo, 23 de abril de 2017

Strong Woman Do Bong Soon (K~drama)




Titulo: Strong Woman Do Bong Soon
Hangul: 힘쎈여자 도봉순 (Romanização: Himssenyeoja Dobongsoon)
Diretor:  Lee Hyeong-Min
Emissora (Canal): JTBC <3
Episódios: 16
Período de transmissão: 24 de Fevereiro - 15 de Abril de 2017
Idioma/audio: Coreano


País: Coréia do Sul

Olá Grifos! É em estado de choque e emoção que venho compartilhar com vocês minhas impressões de um dos melhores doramas do ano. Nem sei se eu estou em condições de fazer isso mas vamos lá!


ATENÇÃO: O PPG adverte, essa resenha contem Spoiller!



1. Temática do empoderamento feminino:

Não é raro ver em doramas, seja qual for a nacionalidade, personagem femininas que são pobres mas orgulhosas, que tem a chance de mudar de vida ao conhecer aquele oppa maravilhoso que junta o útil (rico) ao agradável (muito lindo) ou doromas em que a protagonista é muito esforçada e trabalhadora enquanto o cara consegue tudo só com um movimento de cabeça, não importa por onde ele andou pra chegar ate ali; ou ainda a personagem feminina pode ficar bem apagada em relação ao seu coprotagonista masculino; a questão é que as mulheres podiam ter uma representação melhor na maioria dos doramas.
E Strong Woman seguindo um histórico, que ate pouco tempo era de exceções e que agora não só esperamos como testemunhamos estar se tornando mais e mais frequente de doramas como Bad Couple, Doctor's, Madame Antonie, Weightlifting fairy kim bok joo entre outros
 que representam muito bem as mulheres. Graças a deus!



2. Pequena Sinopse:

Na família Do, na verdade na família Hwang;  existe uma herança muito especial, apenas para as mulheres da linhagem, todas elas nascem com super força, só que existem restrições para essa força, elas nunca podem usar para vantagem própria ou para causas injustas muito menos para matar alguém. Do Bong Soon (Park Bo-Young) é a gêmea mais velha do Do Bong Ki (An Woo-Yeon) e hedou de sua mãe, Hwang Jin-Yi (Shim Hye-Jin), a super força; esta ultima perdeu seus poderes, o motivo eu não posso contar aqui mas foi devido a isso que ela finalmente aceitou se casar com Do Chil-Goo (Yoo Jae- Myung) pai dos gêmeos.


3. Bong Bong. <3
No começo já podiamos ver todo o potencial da nossa prota, ela era muito inteligente e se preocupava com os outros, sempre acreditando que as pessoas tinham jeito; mas o crescimento dela dentro da historia foi incrível; devido ao fato de não ter ido para a faculdade e ter um irmão que é medico, alem de estar desempregada, ela se sentia muito pressionada a fazer com que principalmente a mãe acreditasse que ela podia fazer coisas grandes assim como o irmão dela.
Ela desenhava a própria imagem como um monstro, um ser anormal por não aceitar bem os seus super poderes e nem se sentia capaz de fazer nada realmente bom com esse poder, ela queria mesmo é se ver livre deles mas se conformou.


Enquanto isso no Bairro dela surge um criminoso, psicopata que se tornou obcecado com uma peça teatral em que ele costumava ser o ator principal mas foi demitido "Barba negra e suas sete noivas" algo assim... e começa a sequestrar, bater e fazer sei lá mais o que com as pobres moças... Mas essa historia de sequestro tomou umas proporções que eu não esperava e vai se tornar um incentivo pra Bong Soong evoluir na historia.

4. Shippers e romance:

#TeamGukDoo: No começo a Bong Soong tem um crush no colega de escola In Guk Doo (Ji Soo), que se tornou um policial muito bom, porém faltou as aulas de trabalho em equipe e de como não ser idiota; tanto que ele deixou ela na friendzone por pelo menos 10 amos e tava de boas desde que ela possa ficar babando nele (quem não gostaria ne, gente? por favor! dá uma espiada no gif em que este homem aparece! Ali, logo abaixo! <3).


Aqui! Olha que gostosura! <3

Mas como eu posso explicar? Tem muita coisa errada entre eles, pra começar ela escondeu dele que tinha poderes. Ele é um cara legal ate mas precisava aprender muito sobre como se relacionar com as mulheres. Eu não gostava muito da personagem porque era muito autoritário e rude, aparentemente só com a Bong Soong e gritava bastante mas com o passar do dorama ele foi ajustando essa coisa de gritar.

Me pareceu que o rumo que quiseram dar pra essa personagem foi "Eu gosto de você por isso grito e sou rude com você!" e isso não é nada bom, ainda bem que a Bong Soon tinha um boy mais legal na dela.
P.S. Quero deixar claro que não gosto do In Guk Doo mas amo o Ji Soo! <3

Sim, eu sei que é o Ji Soo em outro
dorama (doctors);
Mas essa piscadela precisa ser difundida!
<3
#TeamCEO<3GukDoo: Em um determinado momento cheguei realmente a acreditar que o casal principal eram o Min Hyuk e o Guk Doo, sempre que eles bebiam começava a pegação e a Bong Soon ficava de vela... kkkkkkkk



Olha que rebolado sexy! Não tem como
não amar esse homem!
Tô falando do Ji Soo! <3






Aquele momento que o Ji Soo
, de mulher,
é mais bonito que eu. <3
P.S². No meu coração eu ainda shippo eles! <3
P.S³. A pergunta que não quer calar é: "Quando o Ji Soo vai pegar um papel em que ele não seja do time 'Friendzone'?"

#TeamCEO:  An Min Hyuk (Park Hyung-Sik) é filho de um velho inútil e mafioso, sério. A família (paterna) dele é péssima porém muito rica. Ele era filho ilegitimo e por isso sofria retalhações da madrasta e dos irmãos mais velhos, assim ele acabou por sair de casa depois que a mãe dele faleceu, e fundou a empresa mais ativa no campo de criação de jogos para PC e para celular também, a Ainsoft, Depois de testemunhar nossa Bong Soon acabar com a raça de pelo menos uns 15 caras ele também foi junto com ela para delegacia prestar depoimento sobre o ocorrido e tentou ajudá-la a esconder seu segredo, só que ela ficou bem zangada porque não tinha pedido ajuda a ele e o xingou bastante e foi ai que ele se apaixonou mesmo por ela. hahahahahaha




 Com o MinHyuk foi diferente desde o começo porque ele sabia do poder da Bong Soon e contratou ela como guarda costas, ate hoje eu não sei se não foi um pretexto pra ficar perto dela mas ela aceitou o trabalho na esperança de mudar de departamento dentro da empresa dele e realizar o sonho de desenvolver o jogo onde ela fosse a protagonista que salva o príncipe com sua super força. E as cenas deles dois são muito divertidas!






Acho que a personagem MinHyuk cresceu muito ao se apaixonar pela Bong Soon, ele passou a ser totalmente devotado a ela, já que ele teve que conquistar uma mulher que já tinha alguém especial em seu coração. Tendo ou não poderes ela era a pessoa mais maravilhosa que ele conheceu, apoiava e incentivava cada passo que ela dava, enfrentaria um trem por ela. O que quero dizer é que enquanto para Bong Soon a alavanca para o crescimento de personagem foi toda a situação de sequestro, para Minhyuk foi o amor que ele passou a ter pela Bong Bong.


Mas pra mim pareceu que o sentimento que ela tinha pelo Guk Doo eram mais evidente, ela parecia mais apaixonada pelo crush do que pelo Minhyuk, vai ver foi só impressão minha e o sentimento pelo Minhyuk era mais maduro e real e por causa da correria com o roteiro não mostraram isso o suficiente.




Como eu vou shippar #BongBong<MinMin para toda a eternidade vou colocar uma tolelada de gifs fofos aqui se preparem! <3







sexta-feira, 21 de abril de 2017

Desvanecer - Larissa Prado


1... 2... 3... VAI! 

OLÁ, GRIFOS. \o/ Como estão?

Manuela: Bom, aqui no Parágrafos a gente gosta de uns bagulhos bem dark e bem mórbidos e também gostamos de umas problematizações e quando lemos "Desvanecer" da Larissa Prado sentimos um misto de tudo dito anteriormente; gostamos muito da história e vamos partilhar com vocês a discussão que tivemos em torno do enredo e de como este terminou.



Auryo: Se você quiser ler o conto antes de ver nossos comentários é só clicar AQUI ou então AQUI. Em ambos os sites a autora lançou um bocado de contos ^^ Se divirtam. Ah! Só lembrando que aqui teremos leves spoilers.

Carol: De cara já temos um poema de Lord Byron e a pessoa que vos escreve já ficou de olhinhos brilhando, afinal minha geração favorita do Romantismo é a segunda 😻 Conheceremos então um irmão aflito, desesperançoso e cansado de acompanhar o sofrimento da enferma irmã, Adelaide.

Auryo: O tom do conto é bem gótico; a escolha das palavras ajudou bastante nesse clima e na construção dos diferentes sentimentos que pipocam na narrativa como o asco: "pestilenta", "garra horrível e cadavérica", "rosnados", ou um afeto fraternal: "pequena garotinha", "sorriso eufórico e iluminado", "Minha querida irmã". 

Carol: A Larissa escreve de maneira segura e precisa, transpondo em poucas páginas os conflituosos sentimentos do narrador em relação à irmã.
"Meu coração se compadecia e também a odiava secretamente" (p.2).
Auryo: A medicina não consegue compreender essa doença e desiste do caso. Adelaide definha, só nos resta assistir.

Manuela: A narrativa nos dá pouca informação sobre o contexto da vida deles antes da doença de Adelaide, o que é um prato cheio para a imaginação e olha vou dizer que a minha foi longe, imaginei que poderia ser a peste ou alguma outra doença que em algum período fosse desconhecida. Não imaginei que a historia se passasse "nos nossos tempos". Mas essa é a minha interpretação; como eu disse, a autora não narra muito além daquela convivência mórbida deles.


Auryo: Mais alguém lembrou do Evanescence por causa do título?

Carol: Inclusive ouvi dois CD's ontem enquanto acrescentava minhas contribuições à resenha 🙃 Amy Lee: I 💜 U.

Auryo: Voltando... ; ) A parte do terror fica nas mãos do nosso medo pelo desconhecido, ou seja, dessa doença de Adelaide, sem causa ou cura aparente, que acaba a deformando em algo horrendo ao irmão... Além do desespero de não poder fazer nada a não ser aceitar o fim. É uma parada bem "Hello darkness, my old friend".


Manuela: Além do medo da doença desconhecida de Adelaide e no que ela se transformou, o medo dos sentimentos narrador-irmão ou irmão-narrador, parece que a moça não definhou e adoeceu sozinha, levou ele junto; e ele passa a ter pensamentos horríveis; e o leitor sente um misto de revolta e medo. É emocionante e ao mesmo tempo o leitor fica assustado ao perceber que entende certos pensamentos e ate certas atitudes dele. O_O

Carol: A dor de ver a irmã definhar acaba dando lugar a dor de saber que não é possível continuar a presenciar aquilo... O irmão também perde uma parte de si durante esse processo então por mais difícil de engolir e compreender sua atitude ao partir, busquei imaginar como eu me sentiria em tal situação.

Auryo: Sim, sim. Esse terror que acontece mais na mente do personagem, nessa tomada de decisões, na angústia, na culpa de amar e odiar etc. me lembrou dos contos do Edgar Allan Poe. E a questão da doença me lembrou bastante de um livro do Stephen King, O Cemitério, onde uma das personagens tem uma irmã cuja doença a degenera e a torna algo assustador.



Carol: O final do conto segue a perspectiva do restante da história: cru, doloroso e desesperançoso. O narrador quer acreditar (e almeja) na perspectiva de uma nova vida, onde poderia constituir uma família e recomeçar. Mas ele questiona se isso realmente seria possível...

Auryo: Pois é, o final... Não sei se o problema foi comigo, mas senti falta de algo nas últimas frases, algo mais forte ou uma reviravolta, sei lá. O conto começou interessante, cresceu e depois foi murchando, e permaneceu assim até o final. Não sei se esse era um dos objetivos da autora: fazer com que o próprio texto vá desvanecendo... Pode ser. Mesmo assim senti falta de algum impacto final, uma frase p'ra ser o último golpe.

Então era isso que queríamos falar desse conto maravilhoso da goiana Larissa Prado. Obrigado por ler essa loucura toda até aqui. Sintam-se a vontade para continuar essa conversa nos comentários. E bons sonhos para vocês.



#MulheresParaLer



terça-feira, 18 de abril de 2017

Os forasteiros - Deuses primitivos e Guerreiros de bronze (resenha)



OLÁ GRIFOOS.

Vamos falar sobre livros? Sobre mitologia? Aventura e uma capa bonita? Poix bora conversar sobre Os Forasteiros, o volume 1 da série Deuses e Guerreiros da autora Michelle Paver.

Vou começar jogando sujo e tacar logo a melhor cena, na minha opinião. Que é essa do sacrifício:


     "Uma imensa forma sombria obscureceu o céu. Desceu à margem do canal. Dobrou suas asas com um fap que lembrava couro.
     O espírito de Hylas se encolheu.
     Mais bater de asas. Outra sombra pousou na margem. Hylas ouviu o tinir de garras sobre as cinzas. Sentiu fedor de carne queimada. Viu a escuridão se mexer.
     Um silêncio terrível.
     Da beira do canal, parecia que estava vendo a escuridão se cristalizar, serpentear, mover-se de um lado para outro. À procura dele.
     Podia senti-la em sua mente. Tinha a carne enegrecida, queimada pelos fogos do Caos. As bocas vermelhas, em carne viva, eram feridas abertas.
     (...)
     Com o canto do olho, viu algo se mexer no chão.
     Lá. Na entrada do canal. Hylas se esforçou para ver na escuridão, mas ela era muito densa.
     Acima dele, no canal, o escuro se agitava, pescoços compridos se moviam em busca dele."

Página 227



Depois dessa citação sem fim, que deve ter irritado muita gente, vamos pra história. ^^

Hylas, a irmã Issi e o cachorro Xô (Xô! Melhor nome) vivem "de boas" pastoreando cabras nas montanhas. Maaaas, eles têm um porém: eles não fazem parte da aldeia, são meio que excluídos, "não estão sob a proteção dos deuses" porque são considerados como forasteiros (ata daí o título...). Até aqui ainda está tudo bem, a coisa ruim começa quando esses Forasteiros são perseguidos e mortos por Corvos.


  

"Não é nada disso que você está pensando." 

Os Corvos são um grupo de guerreiros de armaduras de bronze. Aqui eu puxo outro ponto da história: o bronze. O livro se passa na Idade do Bronze, mais precisamente na Grécia antes da Grécia (ué?). É mais ou menos isso, vemos os personagens falarem de deuses e conseguimos fazer as relações com os deuses gregos, como se fossem versões mais primitivas deles. "Todo o amor que houver nessa vida" para essa ideia.

Não posso esquecer os outros integrantes do grupo principal: Pirra, a filha da Sacerdotisa Suprema, que se recusa a ser usada pela mãe; e o golfinho apelidado de Espírito. É. Tem um golfinho na história. Ele tem umas cenas bem interessantes por causa da mudança de como encarar as coisa, exemplo: enquanto para humanos é normal dormir para o golfinho ficar "deitados naquele sono imóvel e parecido com a morte" é perturbador, já que "O golfinho nunca parava de se mexer. Não conseguia imaginar como seria. Era assustador só de pensar" (página 134). Ele é bem observador.


  Por outro lado o golfinho é dono de uns capítulos que pra mim foram uma encheção de linguiça... Eu fiquei bem "ele é legal, mas o que esse golfinho ainda tá fazendo aqui? Produção, pode levar". 

Okay? Okay. Acho que já posso partir para outro ponto. 

Uma das coisas mais interessantes do livro é que ele brinca com a fantasia. O real e o fantástico se misturam, e a gente não tem como afirmar com toda a certeza se são só coincidências, ou é a mente pregando peças, ou são deuses e criaturas mitológicas aparecendo etc. Fica uma dúvida no ar.

Detalhe da capa sueca

Mas, isso também é uma das coisas brochantes do livro. Pra mim a autora não soube trabalhar isso lá muito bem, porque é gerada uma expectativa enorme no fim de alguns capítulos (aquele bom e velho cliff hang)  e logo no começo do próximo descobrimos que a realidade é sem graça. '-'

Um exemplo: tem uma cena, logo no começo, que o garoto, Hylas, tá fugindo e ao cair da noite ele se enconde em um... um lugar tipo uma caverna, lá dentro tem um defunto (eita). Como lá fora pode ser mais perigoso, ele resolve dormir ali mesmo. Então, algo acorda Hylas. Lá está ele e seu companheiro da noite no mesmo lugar, o que será que o acordou? Ele fica olhando o corpo... que "abriu os olhos e o encarou", estas são as últimas palavras do capítulo. 






O que se passa na minha cabeça nesse momento? Zumbis ou algo parecido, e que a história vai ficar interessante, vai ser uma correria, vai ter White Walkers e tudo mais. Aí no capítulo seguinte descubro que era só outra pessoa que resolveu se esconder no mesmo lugar... no mesmo dia... ok... Fazer o quê, né?


Ai, ai. Era isso que tinha para falar sobre o livro. Comente o que achou da leitura. Um abraço \o/ Fui.



#MulheresParaLer

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Ninguém, um conto de Karen Alvares




Vocês já se pegaram pensando que as maioria das histórias de terror acontecem em lugares distantes ou no passado? O gênero gosta desses lugares abandonados ou afastados da cidade, de florestas, de mansões históricas, de coisas velhas, de brinquedos antigos, de fitas de vídeo, do chuvisco da TV, gosta de famílias protestantes colonizando os USA, de retratar o vodu da Louisiana, etc.

Mas e o terror moderno? O conto Ninguém de Karen Alvares traz esse negócio p'ra mais perto da gente, joga o terror na tela à nossa frente. O perigo nos observa na web (ou na deep web?) é só você saber procurar ou melhor não...

"Ele desistiria de mim, obviamente. Eu era apenas uma mosca que o irritou por alguns instantes, um inseto minúsculo que não representava ameaça alguma para ele.

Mas o que a gente faz com os insetos?"

 E se um adolescente procurando por histórias horríveis, no sentido com sangue da palavra "horrível", acabar sendo encontrado por alguém? O conto da Karen já começa agressivo e vai pra mutilação, perseguição, tortura... Ah! Se eu me empolgar mais acabo contando tudo. ^^

Essa é minha dica de hoje. Leia. É de graça (aqui).

'Té mais. E cuidado com o que você pesquisa.


#MulheresParaLer

domingo, 16 de abril de 2017

Logan - "I hurt myself today"





Yeah! Vamos hablar sobre Logan.

É. Eu sei que o filme tá com um tempo no cinema (já deve tá saindo ou já saiu). Enfim, precisava falar sobre esse filme incrível. Pra começar um pouco de música para entrar no clima:




Já ouvi gente falando sobre cinema dizer que a primeira cena vai dar a "pegada" do resto do filme. Nossa. Aquele começo de Logan foi um tiro na cara. Até me assustei, ainda tava me recuperando da carreira pra chegar na sala a tempo, porque só consegui comprar o ingresso na hora de começar os trailers.

Pra descansar dessa corrida o filme me joga uma cena de ação, pancada, garras, espancamento, Logan no chão. Confesso que me assustei no primeiro tiro. ^^ Essa cena foi pro público ter certeza que vai rolar muito sangue e violência.



É o filme perfeito para levar seus filhos (piscadela). Na verdade, na sessão que fui tinha duas crianças na minha frente... Como lidar? ¯\_(ツ)_/¯

 Depois desse banho inicial de violência, nos aprofundamos na decadência do Logan, vemos um personagem quebrado pelo tempo. Álcool. A velhice chegando. A solidão. Trabalhando como motorista de limousine. Essa é a parte da desolação, do deserto. Também encontramos um Xavier decrepito e mais um mutante e nada mais. Devido aos seus poderes o Logan vai ficando... enquanto todos os outros morrem. Basicamente essa é uma das essências do personagem.

Com essa questão do "fator de cura" do Wolverine, ele tenta evitar se relacionar com as pessoas de uma forma mais íntima, é aquele lobo solitário. Sem uma família (tirando os x-men, claro), sem pais e sem filhos, ele é sozinho na vida, é como se ele tivesse rompido o ciclo e se tornado algo à parte, algo que não morre (mata).



Então Laura uma garotinha do capiroto entra na história. Tão fofa carregando uma cabeça decepada como se fosse a lancheira da escola <3 Ainda estou um pouco assustado com aquela atriz, espero que aquelas cambalhotas sejam feitas com computação gráfica... Medo. 

E aqui começa a parte road trip do filme. Logan, Xavier e Laura pegam a estrada. Pai, avô e filha. ; ) O clima é muito bom e essas viagens de carro combinam com a impressão de "solidão" do começo. É um filmaço de estrada, teve até uma cena que lembrou Mad Max.  

Esqueci de falar que os poderes do Wolverine estão falhando. Ops. Ele não tá se curando tão bem quanto antigamente, aí às vezes ele tem que puxar a garra que não saiu por completo. Sangue. Esse fato deu um choque de humanidade tão grande pro cara, sei lá, o filme é mais cru e mais dramático.

Drama? É, pois é. Aqui você vai encontrar vários arcos de drama. Tem Xavier tendo ataques. Tem gente morrendo que você chega respira fundo e solta um "coitados". Tem a menina com problemas de confiança e de se relacionar... ela nem fala a maior parte do filme ainda bem, mesmo assim a Laura ainda tem cenas engraçadas. É um filmaço completo, não tô dizendo? Tem de tudo um pouco.

Pero, nem tudo é só elogios. Vamos causar... ou não.



Que vilão foi aquele. Só lembro de ele fugir, ir para trás, se esconder; não dá pra levar a série um troço desse não. Que tipo de ameaça é essa? Fiquei com a impressão de que ele tava lá só pra preencher o espaço de vilão, aqui tô falando do Donald Pierce (o cara da mão mecânica). É bom especificar já que há outras figuras "vilanescas" com um cientista e um cl... shh... sem spoilers.


 O próximo ponto foi só uma cena rápida... Na "última parte" de Logan, temos uma floresta, reencontros, mais gente e tudo mais. É meio que um contraste com o resto do filme, onde antes é solidão agora é esse tumulto, mas beleza. Mais para o final há uma cena onde os personagens se juntam para atacar outro que ficou muito Os Mutantes: Caminhos do Coração. Sério. Não conseguir evitar a comparação. Ficou muito estranho aquilo ali. 

Então, é isso. Esse filme foi a melhor despedida que você respeita.

'Té mais. 





P.S.: Assista!

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