sábado, 20 de janeiro de 2018

Nem tudo é o que parece

e Grace sabe bem disso. Seu casamento com Jack, um renomado advogado especializado na defesa de mulheres que sofrem de agressão por parte de seus companheiros, é perfeito aos olhos de todos e todas que os conhecem. 

#PraCegoVer: sobre uma mesa de madeira, o livro Entre Quatro Paredes, virado de forma que sua lombada fique em evidência. Em sua capa, temos uma fita amarela disposta de forma aleatória. Próximo ao título da lombada, um anel cuja pedra é branca, brilhante.
Ausência de liberdade. Controle. Violência psicológica. Esses são alguns dos dolorosos ingredientes que compõem esse casamento. Tal cenário por si só já é completamente injustificável, cruel e revoltante. Mas há mais. 

A escrita de B.A Paris é bastante fluída, mas a experiência foi angustiante, pesada e sufocante. A cada página virada sentia um peso sobre meus ombros e a necessidade de que a história tivesse uma reviravolta que trouxesse a resolução e o alívio que tanto Grace e eu desejávamos. 

Toda a concepção de perfeição que rodeia o casamento dos protagonistas fica evidente em seus modos, gestos, na casa onde moram e na formalidade com que falam. É tudo meticuloso, ensaiado, artificialmente elaborado. E incomoda, irrita, machuca, especialmente por sabermos o real motivo de toda essa fachada.

#PraCegoVer: Sobre uma mesa de madeira, o livro Entre Quatro Paredes aberto na página 13. Na mesma é possível ver um marcador na cor verde, destacando um trecho. Um puco abaixo do marcador, temos a ponta de um pincel de aquarela. Um pouco mais abaixo, ainda sobre a página, um boneco policial playmobil.
Jack é um personagem odioso. Perdi a conta de quantas vezes desejei atravessar as páginas e acabar com a existência de tal troço. Sua inteligência é perversamente utilizada e o infeliz está sempre um passo à frente de Grace e de nós, leitoras (es). 

Grace nos cativa não apenas por sua situação, mas por seu amor e cuidados com a irmã, Millie, que é uma personagem cujas aparições sempre enchiam meu coração de afeto e esperança. Queria ter metade da bravura dessa garota 💕 Grace também possui uma força que inspira. A mulher resiste bravamente, ainda que suas forças e ideias estejam à beira do esgotamento. 

Grace, infelizmente, representa muitas mulheres que estão dentro de uma relação abusiva, ainda que as circunstâncias de seu relacionamento sejam diferentes em relação à maioria. Mas ainda sim é um vislumbre do quão difícil é saber lidar com o fato de que a pessoa por quem você se apaixonou é completamente o oposto do que se mostrava. É alguém tóxico. Cruel. 

A história conta com outros personagens, que aparecem com uma certa frequência, como os casais de amigos de Jack e Grace, mas é Esther que merece destaque: ela terá papel fundamental no desenrolar da história. 

Não sei se foi a melhor escolha para uma maratona: é o tipo de história que fica conosco, o tipo que pode causar a famosa ressaca literária. Mas, apesar de tantos sentimentos conflitantes, foi um livro que valeu a leitura. Porém só o recomendo para quem está disposto a encarar emoções e sensações delicadas, difíceis, agoniantes. 

A leitura é a primeira concluída da Jornada Maratona Literária de Verão, organizada pelo Victor Almeida, do canal Geek Freak

Se você já leu, puxa uma cadeirinha e vamos conversar. Preciso dividir minha aflição com alguém 😫

Para adquirir um exemplar, recomendo os sites: Amazon ou Submarino

{Carol}

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Diário de Leitura: O Mundo Perdido - Michael Crichton (Apresentação)



Olá Grifos \o/ 

Sim o ano mal começou direito e já vamos colocar um projeto em prática.

O nosso plano é ler O Mundo Perdido (ou Jurassic Park 2) ao longo de dois meses, com atualizações semanais do nosso progresso. A primeira delas ocorrerá dia 21.01.17, a segunda no domingo seguinte e por aí vai. 

O cronograma semanal ficou assim:

#1 Do começo (jura?) até o capítulo O Mundo Perdido 

#2 Do capítulo A Escola até o capítulo Sistema de Campo

#3 Do capítulo Harding até o capítulo Arby

#4 Do capítulo Laboratório até o capítulo A Rainha de Copas

#5 Do capítulo Puerto Cortês até o capítulo O Ninho

#6 Do capítulo O Posto de Observação até o capítulo Dogson

#7 Do capítulo O Trailer até o capítulo A Perseguição

#8 Do capítulo No Limite do Caos até o final (Yeah!)


Se você está se perguntando "Mas e o Jurassic Park?" pode ficar tranquilo(a) porque fizemos uma resenha ano retrasado (2016), que pode ler lida AQUI.

A ideia é gerar um bate-papo ao longo da leitura e para isso duas pessoas daqui do blog irão ler o livro do Michael Crichton para conversar não apenas entre si, mas também com todos os interessados, então... se você tiver o livro seja físico ou ebook pega lá ele para ler junto com a gente e sinta-se à vontade para comentar. \o/  

Fiquem desde já avisados que haverá spoliers. 

Era isso. 'Té mais.



terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Batalhas e Monstros de Anthony Horowitz


Olá Criaturas fantásticas do mundo todo. \o/

O livro de Horowitz é uma coletânea de contos de várias regiões do mundo. Tem lenda grega (óbvio), celta, chinesa, de indígenas da América do Sul, lenda Inca também etc.

São onze contos ao total: O enigma da Esfinge, O incrível ovo pintado, O dragão e São Jorge, A lavadeira no vau do rio, A cabeça da Górgona, O Minotauro, O grande sino de Pequim, Rômulo e Remo, Geriguiaguiatugo, Uma oferenda para o Sol, e A esposa feia.

A leitura é bem rápida, sério, consegui ler o livro em menos de um dia (Yeah!), e não é porque o livro tem só 150 páginas. A escrita do autor é bem leve. Na introdução ele fala que tava de saco cheio de ver gente tratando mitologia com tanto "não me toque", de maneira seca e séria demais, foi aí que decidiu contar ele mesmo essas lendas, mas com mais sangue e humor.

A impressão que fiquei do livro foi a de que ele é ótimo para quem está entrando no mundo da leitura e gosta de mitologia e/ou fantasia. Porque nas lendas que eu já conhecia - como a da Esfinge - achei os contos bem simplificados e não gostei tanto assim, no entanto, as histórias que não tinha ouvido falar ainda - como a lenda dos índios Cheiene (EUA) - eu fiquei foi doido, ôh coisa boa. Aí cheguei nessa conclusão: para quem tá começando nesse mundo fantástico esse livro é perfeito.  


Pra completar, no final ainda há um pequeno jogo onde o autor fala um pouco sobre dez monstros e sobre dez armas lendárias para o leitor adivinhar qual deles/delas é mentira. Acertei só a parte das armas; os monstros me enganaram mesmo. ^^ 

A edição é da WMF Martins Fontes, tamanho de bolso, sem orelhas, no entanto, é com aquela folha amarela e grossa (às vezes parecia duas folhas coladas, mas era só uma '-'). E a capa é maravilhosa. S2 

Era isso, gente. 'Té mais.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Os meus (livros) favoritos de 2017!


Tudo bem com vocês? 😍 Finalzinho de ano é aquela época em que é tradição fazermos uma avaliação das metas estabelecidas, especialmente se essa meta for a de livros lidos (e o flop inevitável, haha). Como não poderia ser diferente, eu flopei bonito ._. Não me orgulho nadinha disso, mas ano que vem tá aí pra gente tentar organizar a zona de 2017. 

Meu objetivo era finalizar a leitura de 45 livros, mas meu saldo final é de apenas 25 (e alguns iniciados porém abandonados </3). Mas dentre esses 25 e até mesmo os que iniciei e ainda pretendo concluir (Oi, It 🤡), conheci histórias incríveis, cujas tramas e personagens me fizeram refletir sobre uma variedade de assuntos. E dentre tantas histórias significativas, escolhi cinco que, sem dúvidas, merecem destaque na minha listinha:

1. Assassinato no Expresso do Oriente, de Agatha Christie.


Foi o meu segundo contato com a Rainha do Crime e uma das reviravoltas mais "MEU DEUS DO CÉU O QUE TÁ ACONTECENDO?" que já li. Acompanhar a mente genial de Poirot trabalhar na resolução de um crime é empolgante, ainda que eu tenha desistido de compreender sua linha de raciocínio porque as minhas suspeitas caíam por terra a cada página virada, haha. Assisti a adaptação recentemente e devo dizer que foi uma grata surpresa, visto que as alterações na personalidade/história de Poirot foram interessantes, ao meu ver. O elenco é incrível e as doses de ação acrescentadas à trama deixaram-na ainda mais instigante. 

2. Escola dos Mortos, de Karine Vidal.


Uma fantasia nacional muito bem escrita, cheia de reviravoltas e com personagens cativantes 💕 Já tem resenha aqui no blog, é só clicar aqui \o/ Quando li Escola dos Mortos, Karine estava em busca de uma editora para publicar seu livro, mas adivinhem só? A história de Lara agora faz parte do catálogo da Editora Skull e você pode adquirir seu livro por esse link.

3. E Não Sobrou Nenhum, de Agatha Christie.


Mais um da Agatha sim, porque essa mulher é brilhante e deve ser sempre enaltecida! Ainda estou com planos de fazer um post especial sobre essa história, então até janeiro deve sair (alá as promessas, haha.). Outra trama que deu um nó na minha cabeça .-. Dez pessoas são convidadas para a Ilha do Soldado e aos poucos, uma a uma vai morrendo... Quem as está matando? E ah, outro detalhe primordial: cada morte faz referência a um poema, que contem várias cópias emolduradas pela casa. E o final... uma explosão de miolos do jeito que Agatha gosta de causar em seus leitores.

4. Garotas de Vidro.


Uma leitura desconfortável e por vezes dolorosa, mas bastante necessária. Um livro que retrata distúrbios alimentares e nos convida a refletir sobre medos, inseguranças, dor. Mas também nos coloca para pensar no quão importante é buscar compreender os problemas dos outros ao invés de julgarmos. Empatia é fundamental, que não nos esqueçamos disso. Gratidão à Laurie Halse Anderson, que mais uma vez abordou um tema tão delicado de maneira sensível.

5. Pequenas Grandes Mentiras, de Liane Moriarty.


O livro, junto da série, entraram para a lista de favoritos da vida. Passei meses digerindo essa história e sua importância e espero um dia fazer um post a respeito, mesmo sabendo que existe tanto conteúdo - incrível, diga-se de passagem - já produzido. Apesar de Celeste, Madeline e Jane serem as principais protagonistas da trama, temos ainda outras mulheres dividindo espaço para contarem suas histórias aqui: Renata, Bonnie... Pequenas Grandes Mentiras vem para nos tirar da famosa zona de conforto ao desconstruir a idealização em torno da maternidade. Nos apresenta um relacionamento extremamente abusivo e o impacto disso dentro da família e da própria comunidade. Escancara a hipocrisia. Traz a sororidade. É uma obra rica de conteúdo e reflexões e a série, ao meu ver, soube como adaptar magnificamente a trama de Liane. São sete episódios já disponíveis para download na internet e pelo aplicativo da HBO GO. 

Agora é a vez de vocês \o/ Quais leituras marcaram o seu 2017? Contem pra gente 😙😙😙

E ah, se você se interessou por alguns desses livros, recomendo a compra pelo site da Amazon ou Submarino. São os meus favoritos e sempre rolam umas promoções bacanudas 👍

E um Feliz Natal, amores 🤶 Aproveitem da melhor maneira que puderem! 


{Carol}

domingo, 29 de outubro de 2017

AnimaGrifos #1: vampiros, titãs, iluminatis e espadas


Olá, Grifos \o/

Aproveitando que voltei a assistir animes e animações cá estou eu para batermos um papo. 

Castlevania - essa é a série da Netflix baseada em uma franquia de jogos do mesmo nome, que estreou esse ano (2017). A primeira temporada tem apenas 4 episódios de cerca de 20 minutos cada um. Vou logo falar que não joguei nenhum Castlevania, então a animação não teve pra mim aquele gosto de nostalgia. Mas se acalme porque o negócio é realmente muito bom. A história gira entorno do Conde Drácula e de um "grupo de aventureiros".  


Bem vingativo (não vou contar o porquê), o Drácula soltou uma horda de demônios para destruir as cidades da região. O que as pessoas vão fazer? Morrer, isso mesmo. Não, pera... Lutar! Tá... algumas vão lutar, outras vão só ser escrotas. Além do vampirão temos o grupo de aventureiros, que é formado por Trevor Belmont com seu chicote Vampire Killer, e cuja família é conhecida por matar essas criaturas da noite, também temos Sypha Belnades, uma oradora, ou seja, ela faz parte de um grupo de pessoas que acumulam conhecimentos (aqui estão incluídas magias elementais ), e por fim pra fechar o grupo... acho um spoiler contar...   

Pois bem, eu não tava gostando da série. Ela é visualmente fantástica, tem vampiros, uma pegada mais sombria, tudo para eu amar, no entanto, faltava alguma coisa no começo. Até que veio o último episódio com várias lutas aí sim a série me ganhou, o ruim é que ficou meio "coito interrompido", no melhor da bagaceira o negócio acaba. Que é isso?!      
  
Vou deixar um trailer maroto para vocês darem uma olhada. 



2º Temporada de Ataque dos Titãs - Eu gosto muito da série, mas reconheço que ela tem lá seus defeitos. Adoro o jeito dos titãs agirem como uma força da natureza imparável, e a ideia de os seres humanos ficarem presos entre muralhas numa mistura de várias culturas e povos.

Na primeira temporada uma coisa que achei sem graça foi os vários deus ex machina, que é uma solução vir do nada. Há partes onde os personagens estão encurralados ou em uma situação que não há outra saída a não ser morto pelos titãs, mas aí surge alguém ou algo do nada para salvar o dia. Isso fica mais estranho no contexto da história, porque as pessoas - até personagens que julgamos importantes - morrem por um deslize, uma besteira de nada que eles fazem aí um titã o agarra e o corta no meio com os dentes.



A presença dos titãs (mesmo parecendo às vezes cômica, principalmente quando eles andam) é de um terror que se justifica na nossa insignificância, você precisa sair dali imediatamente ou eles passam por cima. As mortes são cruas e muitas inesperadas, deixando quem assiste em estado de alerta o tempo quase todo.

A segunda temporada, bem... tem os elementos da primeira, óbvio, aparecem mais "espécies" de titãs, resolvem poucas questões do primeiro e cria muitos outros mistérios. Uma coisa que eu gostei bastante foi o foco ir dessa vez para os personagens secundários, no entanto, isso trouxe um problema: esses personagens mesmo aparecendo na primeira temporada não foram muito explorados lá, então tinham que ser melhor apresentados na segunda temporada, a solução do anime foi jogar vários flashbacks, teve uma hora que aconteceu um flashback dentro de um flashback. Isso nem irrita...
   




Gravity Falls - nem só de sangue é feita esta lista... Nossa, esse foi um dos melhores desenhos que já assisti. Não entendo o povo que fica dizendo "os desenhos de hoje não prestam" ou "quando eu era criança era muito melhor", por favor se polpem e vão assistir Gravity Falls. 

E sobre o que se trata? De dois irmãos gêmeos (Dipper e Mabel) que vão passar as férias de verão com seu tio-avô numa cidade do Oregon chamada Gravity Falls, a cidade é tipo um imã para bizarrices, várias criaturas começam a aparecer, mistérios vão surgindo, e até um ser em forma de pirâmide/triângulo com um olho no meio é invocado para fazer acordos e tocar o terror na série. 

Para você ter uma noção do quando a cidade é trevosa na história existe até uma espécie de catálogo das criaturas que aparecem por lá, que vão desde gnomos até seres que saem de fendas inter-dimensionais no formato de um doritos. 



Claymore - esse anime já tem uns dez anos, mas só agora tô assistindo (não me julgue). Ele tem 1 temporada com 26 episódios de um pouco mais de 20 minutos cada.

Claymore é como o povo chama um grupo de guerreiras que lutam contra uns demônios (yoma), elas conseguem lutar de igual pra igual com eles porque as Claymore são metade-humanas e metade-yoma, no entanto, pelo o que a gente sabe elas eram humanas que sofreram um procedimento de trocar o sangue e a carne humana por de demônio, isso tudo é realizado pela organização para a qual elas trabalham.



O anime é cheio de gore, gente morrendo, mistérios, mulheres foda lutando etc. Tirando a luta final que foi meio "previsível" o resto da história você não sabe nem de onde veio o golpe, o negócio é surpreendente, o roteiro de uns episódios é perfeito como o do terceiro episódio.

Ah esqueci de falar que na série a personagem principal tem uma missão principal de vingança, mas faz vários outros trabalhos ao longo do caminho. Essas missões secundárias envolvem salvar algumas cidades de demônios infiltrados entre os moradores humanos, e por "infiltrados" entendam como eles assumindo o lugar de uma pessoa qualquer e quando não tem ninguém olhando eles matam e comem uns humanos de boas.



Se investigar esses casos que podem te matar não fossem o bastante as Claymores, que são as únicas capazes de derrotar esses demônios!, ainda tem que ignorar o preconceito/medo das cidades porque elas são meio-humanas, meio-demônios. Ingratidão resume as pessoas do anime... do anime... né? 


Se tiver alguma sugestão é só deixar aqui nos comentários. 'Té mais.



quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Agatha Christie - Xenofobia, velhice e motivação (box 5)




Olá, seres do mundo todo. Adivinhem só quem voltou a aparecer no blog. Sim! A rainha do crime. Dessa vez bora conversar sobre o "box 5 da HarperCollins Brasil", que inclui os livros: Convite para um homicídio, M ou N? e A casa do penhasco.



N'A casa do penhasco vemos o detetive Hercule Poirot de férias, meio que aposentado dos casos/mistérios, mas então uma moça passa pelo caminho dele. Nick Buckley é a dona da casa do penhasco, e ela está passando por digamos uma onda danada de azar porque é carro sem freio, é pedra caindo nela enquanto desce do penhasco, teve até um quadro antigo que quase a esmagou durante o sono etc. Ela tá ruim, tá precisando de um descarrego. 


No entanto, e se há alguém tentando matá-la...? Essa pessoa não parece ter motivos tão óbvios. "Só um louco mata sem razão" assim que começa o livro, e foi isso que mais me chamou a atenção: motivação, tem uma hora que o Poirot faz uma lista de motivos para um homicídio. Lucro? Ódio? Amor transformado em ódio? Ciúmes? Inveja? Medo? Ao infinito...

Essas coisas sempre me lembram que ninguém está livre de cometer algum crime, só precisa daquele empurrãozinho, daquele justificativa. Fora os casos que foram "sem querer" (por negligência, imprudência ou imperícia). 

Mas não vou só para esse lado, essa discussão pode ser levada para qualquer ato humano sendo crime ou não, porque às vezes falta só aquela última gota d'água para transbordar tudo, o que não significa que foi uma coisa isolada que motivou a pessoa e sim um conjunto de fatores, ações, reações, omissões.

"O mal não permanece impune, Monsieur, mas às vezes o castigo passa despercebido."
Página 158 (A casa do penhasco)

Então, vamos para o próximo livro. M ou N? ou no inglês: N ou M? ¯\_(ツ)_/¯

Esse é um livro sobre espionagem! No meio da Segunda Guerra Mundial, Tommy e Tuppence precisam descobrir em uma pensão no... vou falar "Reino Unido" que é pra não errar porque não lembro se era na Inglaterra ou na Escócia... descobrir entre os hóspedes dessa pensão quem é um espião nazista. 

Confesso que dos três esse foi o que menos gostei. Isso se deu mais pela forma que o mistério foi resolvido - foi meio por acaso - do que pelo resto da história: a dinâmica do casal (Tommy e Tuppence) é fantástica, gostei demais dos dois, já até pesquisei outros livros em que eles aparecem; e todo o esquema de espionagem é muito interessante, principalmente o que a pessoa faz para se manter escondida, o plano é bem complexo.


O livro aborda pontualmente vários temas, um dos principais é a velhice. Tommy e Tuppence já são considerado velhos... velhos e imprestáveis o que é pior. Isso ainda é agravado pela situação de guerra, porque eles querem participar de alguma maneira, ir à luta, mas o que sobra é ficar tricotando agasalhos para os soldados e nada mais. 

Durante todo o livro os outros personagens ficam reforçando essa ideia de que a vez deles já passou e que agora não podem mais contribuir com muita coisa. Aí de novo fiquei matutando... até onde esse tipo de pensamento serve realmente para a família/sociedade proteger a pessoa idosa? Ou isso não pode ser muito mais nocivo a elas, gerando uma depressão ou outros problemas? 

 Nós temos que ser mais do que "nascer, crescer, reproduzir e morrer". Lógico que querer descansar após uma certa idade é ótimo, entretanto, isso não é sinônimo de ser inútil ou de ser um estorvo. 

Enfim... Pulando para outro tema:

"Não pode esperar que um homem da rua saiba a distinção que existe entre um alemão e um nazista."
Página 29 (M ou N?)

A presença do "inimigo" está em todo M ou N?, os estrangeiros são os primeiros a serem apontados como culpados, seja refugiados de guerra ou que tenham alguma descendência ou vínculo com determinado país estrangeiro. Claro que em um estado de guerra as coisas são diferentes, mas... mesmo na guerra... uma mãe é uma mãe, não é? (eita, que isso dá quase um funk)

Só p'ra constar: esse livro foi publicado em 1941, no meio da 2ª Guerra Mundial...

"Compreendo que são também seres humanos e que somos iguais. O mal está na máscara que colocamos: a máscara da guerra.

Página 80 (M ou N?)

Mudando de livro, mas continuando no assunto. No Convite para um homicídio, a história se passa no pós guerra - não lembro se é depois da 1ª ou da 2ª - e de novo qualquer pessoa diferente/estrangeira é taxada como culpada número 1, inclusive pela polícia, aí o negócio fica mais sério.

"Acho que o hotel devia tomar mais cuidado com as pessoas que vêm trabalhar aqui... estrangeiros, principalmente. Com um estrangeiro, a gente nunca sabe a quantas anda. Ele era de alguma dessas quadrilhas que os jornais falam?"

Página 48 (Convite para um homicídio)

"De alguma dessas quadrilhas"... hoje poderíamos falar "de algum grupo terrorista de que a mídia fala", e pegando uma frase lá de cima para brincar com ela: "Não pode esperar que um homem da rua saiba a distinção que existe entre um muçulmano e um terrorista".

Só para encerrar: dos três livros o Convite para um homicídio foi o melhor! A trama é justamente o que você está pensando: alguém convida uma galera para um homicídio. "Como assim?" É colocado no jornal do bairro esse convite a todos os amigos da família, mas... não foi a dona da casa quem colocou. 


Tem personagem super engraçado, tem uma senhora que a história dela é de partir o coração (se você tiver um, logicamente), tem muitas mortes, e a cereja do bolo: é um caso da Miss Marple, a velhinha detetive, na hora que eu soube disso já pensei: vixe, no final ela vai quase matar alguém pra pegar o assassino. Dito e feito. Lembro de um livro que ela esperou o assassino colocar a cabeça da vítima no forno... Miss Marple não é normal. S2

Era isso, pessoal. Inté outro dia.






Esse foi um oferecimento do Mês do Horror, porque não há nada mais horrível do que a humanidade. 


domingo, 1 de outubro de 2017

O Último Adeus, por Cynthia Hand.

ATENÇÃO: o principal objetivo do projeto #LendoSetembroAmarelo é sensibilizar e ajudar na divulgação de informações a respeito do suicídio. O livro indicado abaixo contém possíveis gatilhos, então peço gentilmente que antes de optar pela leitura, leve em consideração os seus sentimentos e não se force a uma situação de desconforto e mal estar.

Alexis está em seu último ano do ensino médio, o que implica em todo aquele cenário familiar: sonhos, medos, ansiedade... Porém, para muito além desses sentimentos, a garota tem de lidar com a ausência, a dor e a culpa pela morte de seu irmão, Tyler. Acompanhamos ainda o sofrimento de sua mãe e as ações e sentimentos de outros personagens que direta ou indiretamente relacionaram-se com o garoto.



Através de um diário - sugestão dada por seu terapeuta, Dave - Alexis nos relata seu dia a dia assim como memórias de situações que vivenciou/compartilhou com seu irmão. Essas memórias nos aproximam de Tyler: um garoto divertido, inteligente, popular, muito amado por sua família, amigos e namorada... Então o que o levaria a tirar a própria vida? 

Alexis também se questiona quanto a isso. Ela busca por estatísticas, fatores que podem ter contribuído para o que acontecera, mas mesmo com dados e suposições, ela não compreende. Em um determinado ponto da narrativa me pareceu, levando em conta o comportamento de Tyler, que talvez ele estivesse enfrentando a depressão - que se apresenta como um dos fatores de risco para o suicídio. Porém, Cynthia Hand não deixa isso exatamente claro, ela quer simplesmente que possamos acolher Alexis, sua mãe e todos que sentem a ausência de Tyler. E foi isso que fiz: sentei ao lado de Alexis e ouvi sua história. Me emocionei junto dela, senti a perda de Tyler como se fosse um amigo querido. Eu quis atravessar as páginas e levar um pouco de conforto para ela, seus pais, Ashley, os amigos de Tyler... 

O Último Adeus foi exatamente o que me disseram e, consequentemente, o que esperava: marcante! Há dor. Dor de diversas formas. Mas há crescimento pessoal, conquistas, recomeço, personagens palpáveis que despertarão no leitor não apenas afinidade, mas afeto e empatia. Fora a infinidade de diálogos maravilhosos... Junto de Por Lugares Incríveis - que também retrata o suicídio e o processo do luto - da Jennifer Niven, é uma história que entrou para a lista de favoritas da vida.

Esse é, definitivamente, um dos meus favoritos. Emociona, mas diverte pela sinceridade e pureza de uma criança.
Também é um lembrete de que quando precisarmos falar, que não hesitemos em buscar ajuda. Se no exato momento em que você necessite, não pareça ter alguém, há serviços destinados a te ouvir, sem julgamento algum. Fale, porque você é sim importante e não está sozinho! Há sim motivos para continuar a sua caminhada, há muito para aprender e ensinar 💛


Onde você pode adquirir um exemplar:

{Carol}

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